Portugal acelera expansão do armazenamento de energia com leilão de 750 MW

Portugal acelera expansão do armazenamento de energia com leilão de 750 MW
Portugal acelera energia limpa

Portugal avança com uma estratégia nacional de armazenamento de energia para reforçar a integração de renováveis e reduzir a volatilidade dos preços da eletricidade. O plano prevê mais do que duplicar a capacidade instalada até 2040 e abre já hoje o primeiro grande leilão de baterias, enquanto os concursos hídricos aguardam aprovação europeia.

Destaques

  • Portugal lançou leilão de 750 MW para baterias, parte da meta nacional de 10,5 GW em armazenamento até 2040, acima dos atuais 3,6 GW.
  • O reforço de armazenamento deve estabilizar custos de eletricidade, beneficiando primeiro consumidores com tarifas dinâmicas e pressionando tarifas fixas ao longo dos próximos anos.
  • Municípios receberão 2,5% da receita líquida anual dos projetos de baterias, fomentando receitas locais e aumento na procura por terrenos junto a subestações.

Plano nacional define metas até 2040

Como noticiou o ThePortugalPost, o Ministério do Ambiente e da Energia apresentou uma Estratégia Nacional de Armazenamento que combina sistemas eletroquímicos e centrais hidroelétricas reversíveis, com a meta de elevar a capacidade total para 10,5 GW até 2040, acima dos atuais cerca de 3,6 GW.

O roteiro em consulta pública trabalha com vários cenários, incluindo uma proposta de 3 GW em baterias e 3,9 GW em bombagem hidroelétrica até 2030, num total de 6,8 GW. Para 2040, a projeção sobe para 4,5 GW em baterias e 5,26 GW em armazenamento hídrico, num reforço destinado a absorver excedentes solares e eólicos e a disponibilizá-los nas horas de maior consumo.

A ministra Maria da Graça Carvalho afirmou em Lisboa que a solução passa sempre por uma combinação entre baterias e hídrica. Segundo a governante, o leilão de 750 MW lançado hoje para baterias enfrenta um processo regulatório mais simples, enquanto os projetos hidroelétricos dependem ainda de luz verde de Bruxelas em matéria de auxílios de Estado, com concurso esperado até dezembro de 2026.

Impacto esperado na fatura, nos municípios e no setor

O reforço do armazenamento procura estabilizar os custos da eletricidade ao transferir energia barata produzida ao meio do dia para os períodos de pico ao fim da tarde e à noite. Consumidores com tarifas dinâmicas tendem a beneficiar primeiro, enquanto contratos fixos podem sentir uma pressão descendente mais gradual nas revisões tarifárias ao longo dos próximos anos.

Os municípios que acolhem parques de baterias passam a receber 2,5% da receita líquida anual dos projetos, criando uma nova fonte de rendimento local. O plano também abre espaço para atividade acrescida em engenharia, construção e manutenção, além de poder aumentar a procura por terrenos próximos de subestações nas zonas selecionadas para os projetos.

No contexto europeu, Portugal mantém ambição relevante no mercado ibérico, embora ainda fique atrás de países com bases instaladas mais robustas. A estratégia ganha importância adicional porque a produção renovável nacional já está em valores na casa dos oitenta por cento, o que aumenta o risco de limitações técnicas, cortes de produção e maior dependência de importações sem reforço paralelo da rede, do armazenamento e das interligações.

Na nossa publicação anterior sobre a viragem do cabaz elétrico na União Europeia em 2025 e os impactos para Portugal, destacámos que as renováveis já representam 47,3% da geração no bloco e que solar e eólica, juntas, ultrapassaram os combustíveis fósseis. Também sublinhámos que, com a maior intermitência e a menor fiabilidade hídrica, cresce a pressão para investir em armazenamento e modernização da rede, de forma a proteger custos e tornar a oferta mais estável.

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