Portugal reforça resposta sanitária com risco de mortalidade acrescida na vaga de calor

Portugal reforça resposta sanitária com risco de mortalidade acrescida na vaga de calor
Vaga de calor ameaça saúde

Portugal enfrenta uma vaga de calor que pode agravar a pressão sobre o sistema de saúde, com temperaturas acima de 40°C previstas no interior e noites tropicais ao longo desta semana. O maior risco concentra-se nos idosos, doentes crónicos e trabalhadores expostos, num contexto em que vários países europeus já registam excesso de mortalidade associado ao calor.

Destaques

  • O Ministério da Saúde português alerta para risco acrescido de mortalidade devido à vaga de calor, com temperaturas em algumas regiões a atingir 43°C e noites acima de 20°C.
  • O governo reforça procedimentos para empresas e profissionais nos setores mais expostos, recomendando planos de prevenção, rotação de tarefas e avaliações regulares de stress térmico até setembro.
  • A vaga de calor já está associada a mais de 1.300 mortes em excesso na Europa desde 21 de junho, mostrando impactos socioeconómicos relevantes e pressão sobre sistemas públicos.

Alertas de saúde e medidas imediatas

Segundo The Portugal Post, o Ministério da Saúde reconhece que a atual vaga de calor pode traduzir-se num aumento mensurável de mortes em Portugal, enquanto o Instituto Português do Mar e da Atmosfera coloca distritos do interior centro e sul sob aviso amarelo, com agravamento previsto até quarta-feira. No vale do Tejo e no Alentejo, os termómetros aproximam-se dos 43°C, e as temperaturas noturnas acima de 20°C aumentam o risco para a população mais vulnerável.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirma que a primeira vaga de calor do verão não teve impacto mensurável na mortalidade, mas considera o episódio atual "muito preocupante". O sistema Ícaro, que cruza dados de temperatura em tempo real com internamentos e certificados de óbito, sinaliza um perfil de risco comparável ao de países vizinhos que já reportam excesso de fatalidades.

A Direção-Geral da Saúde recomenda a ingestão diária de pelo menos 1,5 litros de água, mesmo sem sede, além de evitar álcool e cafeína e permanecer em espaços climatizados durante duas a três horas por dia. A exposição solar deve ser evitada entre as 11h00 e as 17h00, devendo também ser reduzido o esforço físico ao ar livre e reforçada a proteção com roupa leve, chapéu, óculos com filtro UV e protetor solar com fator mínimo 30.

Os grupos mais expostos incluem idosos, sobretudo com mais de 85 anos, doentes com patologias cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e renais, bebés com menos de seis meses, grávidas e pessoas isoladas ou com mobilidade reduzida. O texto também recorda que, em julho de 2025, uma vaga de calor severa esteve associada a 284 mortes em excesso, depois de 69 óbitos em excesso no fim de junho e início de julho do mesmo ano.

Impacto laboral e pressão europeia crescente

A resposta nacional inclui orientações específicas para o trabalho em ambientes de maior risco, num momento em que a Organização Internacional do Trabalho estima que, até 2030, 2% das horas globais de trabalho poderão tornar-se demasiado quentes para uma atividade segura. Em Portugal, os setores mais expostos são construção, agricultura, floresta, pescas, recolha de resíduos e emergência, bem como espaços interiores mal ventilados, como estufas, fornos e fundições.

As entidades patronais devem preparar planos de prevenção para o calor, com rotação de tarefas, redução do tempo de exposição e períodos de recuperação em zonas frescas. A água potável deve estar sempre disponível, com ingestão recomendada a cada 15 a 20 minutos, e os serviços de saúde ocupacional devem avaliar o stress térmico posto a posto e identificar trabalhadores vulneráveis que necessitem de proteção adicional.

O plano de contingência português para vagas de calor funciona anualmente entre maio e setembro e assenta num sistema de alertas verde, amarelo, laranja e vermelho, que permite ajustar capacidade hospitalar, equipas e circuitos assistenciais. Esta estrutura articula-se com estratégias de adaptação climática mais amplas, como a ENAAC 2030, o programa AdaPT e investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência destinados à eficiência energética e à resiliência climática.

No resto da Europa, a vaga de calor já está associada a mais de 1.300 mortes em excesso desde 21 de junho, segundo avaliações citadas da Organização Mundial da Saúde. França, Itália, Polónia e vários países da Europa Central enfrentam mortalidade agravada, incêndios, falhas de energia e alertas sanitários, reforçando a dimensão económica e social de um fenómeno que testa a capacidade de resposta dos sistemas públicos.

Na nossa publicação anterior sobre a evolução do cabaz elétrico da UE em 2025, destacámos o marco em que a eletricidade renovável atingiu 47,3% da produção e em que solar e eólica, juntas, ultrapassaram os combustíveis fósseis. Também sublinhámos que a seca prolongada e as ondas de calor penalizaram a produção hidroelétrica, aumentando a necessidade de soluções como armazenamento, modernização da rede e gestão da procura — um ponto particularmente relevante para Portugal.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.