Portugal lança estratégia industrial verde para captar investimento e reforçar competitividade
O Governo avançou com a Estratégia Industrial Verde para posicionar Portugal como destino competitivo para investimento industrial ligado à descarbonização, à transição energética e à inovação. A agenda, projetada até 2040, procura remover constrangimentos ao investimento e capitalizar um preço da energia 30% abaixo da média da União Europeia.
Destaques
- Portugal lança Estratégia Industrial Verde em 25 de junho, focando cadeias de valor descarbonizadas e setores como aço verde, eletrificação e armazenamento energético.
- O Governo destaca vantagem competitiva com energia 30% mais barata que a média da União Europeia, visando reduzir custos operacionais e reforçar a competitividade nacional.
- A estratégia aposta na rápida substituição de combustíveis fósseis por eletrificação e gases renováveis, promovendo também tecnologias de captura e armazenamento de carbono em setores difíceis de descarbonizar.
Plano até 2040 aposta em cadeias verdes
Como refere um comunicado do Governo, o despacho que determina a elaboração da Estratégia Industrial Verde entra em vigor a 25 de junho e define uma agenda económica orientada para identificar medidas que facilitem o investimento industrial.O executivo quer mapear cadeias de valor prioritárias, o seu potencial de descarbonização e as oportunidades de investimento tecnológico, industrial e económico associadas à industrialização verde. Entre os setores apontados estão as indústrias pesadas verdes, o aço descarbonizado, a eletrificação da economia, o armazenamento de energia, os gases renováveis, a captura e utilização de carbono, a mobilidade elétrica e as baterias.
Segundo o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, Portugal reúne condições para transformar a energia num ativo estratégico e ganhar posição na nova geografia industrial europeia. A prioridade, de acordo com o Governo, é usar essa vantagem energética para baixar custos operacionais, aumentar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas nacionais.
Energia mais barata sustenta ambição industrial
A estratégia assenta na ideia de que a energia deixa de ser apenas um fator de custo e passa a funcionar como elemento central de criação de valor e de atração de investimento. O Governo destaca como vantagem competitiva um preço energético 30% inferior à média da União Europeia.A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma que a iniciativa permite acelerar a substituição progressiva dos combustíveis fósseis por eletrificação e gases renováveis, ao mesmo tempo que promove tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono nos setores com emissões mais difíceis de eliminar.
A proposta é desenvolvida por entidades como a ADENE e o IAPMEI, em colaboração com o LNEG, a AICEP e a Direção-Geral da Economia, com articulação com o tecido empresarial e científico. Esse modelo procura alinhar política industrial, energia e inovação para reforçar a capacidade de Portugal atrair novos projetos produtivos.
Na nossa publicação anterior sobre a disponibilidade de energia como vantagem competitiva para atrair investimento industrial, analisámos como a redução da presença direta do Estado em empresas estratégicas (como REN e EDP) reconfigura o controlo de ativos essenciais. Também destacámos que a venda parcial da TAP volta a intensificar o debate sobre até que ponto Portugal consegue preservar fatores-chave de competitividade — com a energia a manter-se um dos principais trunfos neste enquadramento.
Últimas notícias Portugal
- Forex
- Crypto