Bright Pixel defende capital mais especializado para acelerar startups em Portugal
Portugal dispõe de financiamento para investir em startups, mas continua a faltar apoio com capacidade operacional e conhecimento para sustentar a expansão das empresas. Para a Bright Pixel, esse défice torna-se mais relevante num mercado nacional pequeno, onde o crescimento exige tração internacional e parceiros que acrescentem valor além do dinheiro.
Destaques
- João Günther Amaral, CEO da Bright Pixel, afirma que Portugal tem capital disponível mas carece de investimento especializado que traga competências para startups crescerem internacionalmente.
- A Bright Pixel diferencia-se pela oferta de apoio especializado, investindo exclusivamente via Sonae, num contexto onde startups portuguesas de qualidade captam mais capital do que necessitam.
- Recentemente, a Bright Pixel vendeu a norte-americana Ona à OpenAI (dona do ChatGPT), reforçando sua posição no ecossistema global de inteligência artificial; o valor da operação não foi divulgado.
Estratégia de investimento e capital inteligente
Segundo Jornal de Negócios, citando Lusa, o presidente executivo da Bright Pixel, João Günther Amaral, diz que o problema do ecossistema português não está na escassez de capital, mas na falta de investimento suficientemente inteligente para ajudar as empresas a crescer. O gestor aponta para instrumentos como os fundos SIFIDE e para o dinheiro injetado pelo Estado como prova de que existe financiamento disponível em Portugal.Segundo Amaral, esse capital tem de trazer competências adicionais que permitam às startups ganhar tração, sobretudo em mercados internacionais. Na sua perspetiva, limitar uma empresa ao mercado português significa, em muitos casos, condená-la a permanecer pequena, o que aumenta a importância de investidores capazes de apoiar validação de conceito, desenvolvimento comercial e desenho de soluções.
O CEO defende que o chamado capital inteligente inclui acesso a conselheiros, equipas internas com experiência operacional e potenciais parceiros comerciais. Também destaca o valor do conceito de design partner, isto é, um cliente ou parceiro que ajuda a desenhar e melhorar as primeiras implementações de um produto, reforçando assim o valor estratégico do investimento.
Concorrência por startups e papel da Sonae
Amaral acrescenta que a Bright Pixel compete para conseguir investir nas empresas mais atrativas, num contexto em que várias startups de qualidade captam mais capital do que aquele de que necessitam. Nesse ambiente, a sociedade tem de se diferenciar pela capacidade de oferecer apoio especializado, e não apenas financiamento.A Bright Pixel investe a partir da conta de exploração da Sonae e usa a estrutura do grupo para apoiar as empresas do seu portefólio. A sociedade de capital de risco foi criada há dez anos, é financiada exclusivamente pela Sonae e tem a empresa como único parceiro limitado do fundo.
Recentemente, a Bright Pixel vendeu a Ona, uma empresa norte-americana do seu portefólio, à OpenAI, dona do ChatGPT, embora o valor da operação não tenha sido divulgado. A Ona desenvolve tecnologia que permite a agentes de inteligência artificial operar através de um ambiente integrado de desenvolvimento.
Na nossa publicação anterior sobre a entrada da Permira no capital da Quadrante, explicámos como a operação visa reforçar a capacidade operacional e acelerar a internacionalização, com foco particular na expansão para os EUA. Também referimos que a empresa pretende consolidar o seu posicionamento em projetos de transição energética e infraestruturas críticas, apoiando a estratégia de crescimento com maior utilização de Inteligência Artificial.
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