Estudo sobre pensões em Portugal contesta projeções de taxa de substituição futura
Um novo estudo de dois antigos responsáveis ligados ao sistema de pensões volta a questionar as estimativas sobre o valor das reformas futuras em Portugal. A análise indica que as taxas de substituição variam fortemente consoante a carreira contributiva e o salário, e só se aproximam de 40% do último vencimento em carreiras de cerca de vinte anos.
Destaques
- Estudo de António Vieira da Silva e Vítor Junqueira contesta projeções do Ageing Report que apontam para pensões futuras equivalentes a 40% do último salário.
- Autoria identifica erro nos cálculos utilizados em referências amplamente citadas para prever queda acentuada de rendimentos após a reforma.
- Análise revela que taxas de substituição só caem para perto de 40% em carreiras de vinte anos, permanecendo superiores para percursos profissionais e salariais mais longos.
Críticas ao cálculo das pensões futuras
Segundo o Jornal de Negócios, António Vieira da Silva, que há duas décadas preparou grande parte das novas regras de cálculo das reformas, e Vítor Junqueira, antigo diretor do Centro Nacional de Pensões, assinam um estudo que põe em causa as projeções que apontam para pensões futuras equivalentes a cerca de 40% do último salário.Os autores identificam o que classificam como um erro nos cálculos do Ageing Report, voltando a abrir o debate sobre a forma como são estimadas as pensões pagas no futuro. A contestação incide sobre uma das referências mais citadas para sustentar a ideia de uma forte descida do rendimento na passagem à reforma.
Impacto para trabalhadores e debate da sustentabilidade
Os resultados apresentados no estudo mostram que as novas taxas de substituição diferem bastante consoante o percurso profissional e o nível salarial. Em vez de um valor uniforme próximo de 40%, os níveis apurados surgem mais elevados em vários casos analisados.De acordo com a mesma análise, só quando estão em causa carreiras de vinte anos, o equivalente a metade de uma carreira completa, é que os valores descem para patamares próximos dos 40% do último salário. A conclusão poderá ter implicações no debate sobre a sustentabilidade do sistema e nas expectativas dos trabalhadores sobre o rendimento na reforma.
Na nossa publicação, já analisámos o aumento previsto da idade legal da reforma em Portugal para 66 anos e 11 meses em 2027 e o impacto da revisão estatística do INE na esperança de vida. O texto explicava que estes ajustamentos podem influenciar o fator de sustentabilidade e as penalizações das reformas antecipadas, afetando diretamente quando os trabalhadores conseguem aceder à pensão completa sem cortes.
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