Centro enfrenta limpeza florestal prolongada após tempestade Kristin
A remoção de madeira nas áreas devastadas pela tempestade Kristin na região Centro deverá durar pelo menos dois anos, prolongando o risco de incêndio e a pressão sobre proprietários e autarquias. O atraso também afeta pedidos de reconstrução, custos municipais de emergência e processos de seguros ainda pendentes vários meses após o temporal.
Destaques
- Tempestade Kristin causou danos superiores a 7 mil milhões de euros, deixando mais de um milhão de clientes sem eletricidade na região Centro e Leiria.
- Setor florestal estima pelo menos dois anos para remoção da madeira caída, citando falta de meios humanos e equipamentos adequados.
- Governo já limpou cerca de 19 mil quilómetros de estradas, mas reconhece limitações para remover toda a madeira; atrasos e dificuldades persistem nos seguros e reconstrução habitacional.
Prazo de limpeza expõe limites de capacidade
Como relatado pelo ThePortugalPost, representantes do setor florestal disseram na Comissão Parlamentar de Inquérito aos Fogos Rurais que o calendário administrativo não acompanha a dimensão física dos trabalhos necessários no terreno.Pedro Serra Ramos, presidente da Associação Nacional das Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente, afirmou aos deputados que a limpeza efetiva das zonas atingidas só pode avançar depois da retirada da madeira caída. Segundo o responsável, existem pelo menos dois anos de trabalho apenas para extrair esse material, num contexto em que faltam meios humanos e equipamentos para responder à escala dos estragos.
A pressão é particularmente elevada na região Centro e na Mata Nacional de Leiria, onde grande parte da floresta madura sofreu danos significativos. A tempestade Kristin, que atingiu Portugal no fim de janeiro, provocou mortos e feridos, deixou mais de um milhão de clientes sem eletricidade e levou a avaliações de danos superiores a 7 mil milhões de euros.
Impacto em proprietários, autarquias e seguros
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, defendeu no parlamento a resposta do Governo e referiu mecanismos de apoio financeiro às autarquias. O governante indicou que cerca de 19 mil quilómetros de estradas e caminhos rurais já foram limpos através de contratos com municípios da região Centro, embora tenha reconhecido que a capacidade disponível no país não permite remover toda a madeira derrubada no curto prazo.A prioridade tem sido dada a zonas próximas de povoações, equipamentos públicos e vias rodoviárias, deixando extensas áreas florestais por intervencionar. Ao mesmo tempo, proprietários florestais receberam prazos para limpar terrenos sob risco de coimas, uma exigência que o setor considera difícil de cumprir nas condições atuais.
O ministro também admitiu dificuldades nos pedidos de reconstrução de habitações, com rejeições ligadas a despesas não elegíveis e tentativas de fraude, entretanto encaminhadas para as autoridades competentes. No caso dos seguros, persistem queixas sobre atrasos nos pagamentos, enquanto as seguradoras mantêm procedimentos de verificação antes de concluir as indemnizações.
As audições parlamentares mostram ainda um conflito mais profundo sobre a política de gestão florestal. Enquanto o setor defende uma gestão ativa e critica restrições introduzidas após 2017, o Governo sustenta que eventos desta dimensão ultrapassam a capacidade administrativa e operacional imediata, mesmo com financiamento disponível.
No nosso artigo anterior sobre a subida dos custos de construção de habitação nova em Portugal, destacámos que o Índice de Custos de Construção aumentou 6,9% em maio de 2026, com pressão semelhante de mão de obra e materiais. Também apontámos que, com a oferta já curta e os preços das casas em alta, o encarecimento da execução e a falta de viabilidade económica estão a travar projetos e a agravar os constrangimentos de capacidade no setor.
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