Portugal prepara novo código para reduzir licenças empresariais em 2027

Portugal prepara novo código para reduzir licenças empresariais em 2027
Licenças empresariais simplificadas

O governo português está a avançar com uma revisão ampla das regras de licenciamento económico, com consulta pública prevista para o outono de 2026 e possível entrada em vigor em 2027. A proposta pretende substituir autorizações prévias por declarações técnicas em dezenas de atividades, reduzindo prazos de abertura e custos administrativos para empresas.

Destaques

  • Portugal propõe novo Código de Licenciamento das Atividades Económicas para 2027, unificando regras e estabelecendo controle posterior em vez de inspeção prévia para a maioria dos setores.
  • A reforma inclui prazos vinculativos para resposta das entidades públicas, aprovação tácita após expiração do prazo e promete interoperabilidade entre bases de dados municipais, fiscais, laborais e ambientais.
  • O governo associa a simplificação ao aumento do investimento direto estrangeiro, que atingiu €3,58 mil milhões em 2025, e prevê redução do IRC em quatro pontos percentuais até 2028.

Reforma do licenciamento e calendário de aplicação

Como noticiou o The Portugal Post, o novo Código de Licenciamento das Atividades Económicas deverá unificar regras hoje dispersas por vários setores e limitar as inspeções prévias aos casos de maior risco. Para a maioria das atividades, a lógica passa a ser a de controlo posterior, com as empresas a apresentarem uma declaração de intenção acompanhada por um técnico qualificado e a iniciarem atividade antes de eventual fiscalização.

Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, defende que o Estado deixa de exigir autorizações sem utilidade prática em áreas como comércio, serviços, turismo, indústria e restauração. O modelo aproxima-se do princípio já aplicado no programa Licenciamento Zero, em vigor desde 2011 para segmentos como restaurantes, cabeleireiros, centros de estética, catering e alguma indústria ligeira.

Entre as mudanças antecipadas estão prazos vinculativos para resposta das entidades públicas, aprovação tácita quando esse prazo expira e maior interoperabilidade entre bases de dados municipais, fiscais, laborais e ambientais. AICEP deverá ainda funcionar como ponto único de contacto para projetos de maior dimensão, coordenando procedimentos entre regiões.

O calendário legislativo continua em aberto. Segundo o ministro, ainda não está definido se o diploma avança por decreto-lei ou se exige aprovação parlamentar, uma escolha que poderá levar a entrada em vigor para o início de 2027 ou apenas para meados ou terceiro trimestre desse ano.

Impacto esperado no investimento e nos custos das empresas

Para as empresas, a reforma promete reduzir encargos indiretos associados a taxas, atrasos e contactos com múltiplas entidades. O texto refere que 48,8% das empresas portuguesas identificam a regulação como obstáculo fundamental ao investimento, acima da média da União Europeia de 32%, o que reforça o peso económico da simplificação administrativa.

O governo enquadra a medida num esforço mais amplo para melhorar a atratividade do país ao capital estrangeiro. Portugal registou 3,58 mil milhões de euros em investimento direto estrangeiro contratado em 2025, e o ministro atribui parte da recuperação da confiança à redução de pendências no IAPMEI, na AICEP e no Turismo de Portugal, com uma meta de análise de 60 dias.

A iniciativa surge em paralelo com a promessa de reduzir o IRC em quatro pontos percentuais até 2028 e com a intenção de direcionar fundos europeus para infraestruturas ligadas à transição energética, como armazenamento por baterias, renováveis e substituição de combustíveis fósseis. Em conjunto, o pacote procura encurtar o tempo de entrada no mercado e dar maior previsibilidade de custos a investidores nacionais e estrangeiros.

Persistem, porém, dúvidas sobre a capacidade de fiscalização posterior e sobre a adesão dos municípios, que continuam a deter competências relevantes e receitas associadas ao licenciamento. Se o novo código avançar como previsto, o teste decisivo será a aplicação prática das regras quando os primeiros empresários tentarem abrir atividade ao abrigo do novo regime em 2027.

Na nossa publicação, acompanhámos o encerramento do programa “ESG à 5.ª” do IAPMEI, um ciclo de formação que reuniu milhares de participações de PME e abordou temas como dupla materialidade, financiamento da transição e frameworks de reporte. O IAPMEI sinalizou ainda a continuidade do apoio com novas iniciativas, incluindo ferramentas voluntárias de relato de sustentabilidade, numa resposta à crescente pressão regulatória e de mercado para integrar critérios ESG na gestão empresarial.

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