Portugal reforça defesa de Sines perante fusão downstream da Galp com a Moeve

Portugal reforça defesa de Sines perante fusão downstream da Galp com a Moeve
Sines sob proteção estatal

O Governo diz que vai atuar dentro da lei para salvaguardar o interesse estratégico da refinaria de Sines no processo de fusão das operações de downstream da Galp e da Moeve. A unidade alentejana é a única refinaria em Portugal e o tema ganha peso num contexto de preocupações com soberania energética.

Destaques

  • Portugal vai utilizar todos os meios legais para proteger o interesse estratégico da refinaria de Sines na fusão Galp-Moeve, segundo Joaquim Miranda Sarmento.
  • O Governo, Galp e Moeve mantêm negociações, com destaque para garantir escala à refinaria sem perder capacidade de refinação nacional, conforme salientou Maria da Graça Carvalho.
  • O fecho do acordo para fusão dos negócios de downstream Galp e Moeve foi adiado para o segundo semestre de 2026, segundo a última atualização operacional da Galp.

Posição do Governo e calendário da operação

Conforme noticiou o Jornal de Negócios, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública que o Executivo acompanha a fusão anunciada entre a Galp e a Moeve e fará tudo o que estiver ao seu alcance legal para proteger o interesse estratégico da refinaria de Sines.

Questionado pelo deputado do PCP Alfredo Maia sobre os riscos para o interesse nacional e sobre a atuação do Estado enquanto acionista, o ministro respondeu que Portugal, enquanto Estado de direito, tem de agir de acordo com a lei, mas não deixará de procurar defender o interesse estratégico de longo prazo da única refinaria ainda em funcionamento no país, após o fecho da refinaria de Matosinhos.

As declarações surgem depois de o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, ter dito que têm existido conversas entre o Governo, a Galp e a Moeve sobre a operação. Também a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, classificou recentemente o negócio como complexo e disse que está a ser acompanhado de perto, sublinhando a necessidade de garantir escala para a refinaria sem perder capacidade de refinação em território nacional.

Impacto energético e evolução das negociações

A operação foi anunciada em janeiro deste ano, antes de o conflito no Médio Oriente voltar a expor a relevância da segurança e da soberania energética. Nesse enquadramento, a refinaria de Sines assume um peso acrescido na estratégia industrial e energética portuguesa.

A Galp e a Moeve continuam a avançar nas negociações, ao mesmo tempo que tentam responder às reservas levantadas pelo poder político. A Galp indicou que as conversações com os acionistas da Moeve continuam a progredir de forma construtiva e que as partes mantêm o compromisso de concretizar uma operação com valor estratégico e financeiro.

O fecho do negócio estava inicialmente previsto para o final de junho e depois foi revisto para o final de julho. Mais recentemente, na apresentação dos dados operacionais do primeiro semestre, a petrolífera portuguesa indicou que a assinatura de um eventual acordo para combinar os negócios de downstream com a espanhola Moeve é agora esperada para o segundo semestre de 2026.

Na nossa publicação anterior, acompanhámos a subida do petróleo para máximos de cerca de um mês, impulsionada pela escalada de tensão entre os EUA e o Irão em torno do Estreito de Hormuz. O mercado passou a incorporar um prémio de risco geopolítico, com receios de perturbações no tráfego de petroleiros e impacto na oferta e nos custos de transporte.

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