Património das famílias em Portugal mantém subida em 2024 após revisão estatística
A revisão do inquérito ao património e consumo das famílias em Portugal reduz em 7% a estimativa do património líquido médio em 2024, após a identificação de um erro no cálculo dos ponderadores finais. Apesar da correção, as conclusões qualitativas mantêm-se, com o património líquido médio e mediano a subir cerca de 21% em termos reais face a 2020.
Destaques
- Dada a revisão metodológica, o património líquido médio das famílias em 2024 recuou 7%, mas cresceu 21% face a 2020, atingindo 278,3 mil euros.
- Ativos reais valorizaram 21,1% em média, enquanto 41,7% dos agregados têm dívidas em 2024, com dívida mediana de 34,5 mil euros.
- Restrição de acesso ao crédito afeta 8% das famílias e sobe para 20% no segmento com menor património líquido, jovens ou desempregados.
Revisão metodológica e valores corrigidos
Segundo Statistics Portugal, citando nota da própria entidade, a nota de 28 de maio de 2026 está a ser republicada com correções após a identificação de um erro no cálculo dos ponderadores finais dos agregados familiares, usados para extrapolar as respostas à população residente em Portugal, além da exclusão da educação do procedimento de calibração.Com a revisão, o património líquido das famílias em 2024 é corrigido em baixa, com recuo de 7% no valor médio. Ainda assim, os dados do Inquérito à Situação Financeira das Famílias de 2024 mostram que o património líquido médio e mediano aumentam cerca de 21% em termos reais face a 2020, para 278,3 mil euros e 143,3 mil euros, respetivamente.
O aumento é impulsionado sobretudo pela valorização dos ativos reais, que avançam 21,1% em média, num contexto de forte subida dos preços da habitação. Entre os agregados endividados, 41,7% têm algum tipo de dívida em 2024 e o valor mediano da dívida situa-se em 34,5 mil euros.
Desigualdade patrimonial e acesso ao crédito
Os resultados mostram diferenças acentuadas entre grupos de riqueza. Em 2024, o património líquido mediano das famílias no escalão inferior de 20% da distribuição fica em 1,3 mil euros, enquanto no topo de 10% atinge 962,1 mil euros.Nos grupos com menor riqueza líquida, como famílias cuja pessoa de referência está desempregada ou tem menos de 35 anos, a taxa de proprietários de habitação ronda 40%, abaixo dos 70,2% registados no total das famílias. Já entre os grupos com maior riqueza, como agregados de rendimentos mais elevados e aqueles em que a pessoa de referência trabalha por conta própria ou tem ensino superior, outros imóveis e negócios por conta própria representam uma fatia relativamente maior do património.
Os ativos financeiros aparecem ligeiramente mais concentrados nas famílias mais ricas do que os ativos reais. Para a maioria dos agregados, a maior parcela da riqueza financeira permanece em depósitos, incluindo poupanças e certificados do Tesouro, que representam 75,4% do total, em linha com a elevada aversão ao risco reportada pelas famílias.
Em 2024, 8% das famílias enfrentam restrições no acesso ao crédito, proporção que sobe para cerca de 20% entre agregados com menor património líquido, famílias mais jovens ou com pessoa de referência desempregada. Em comparação com o passado, a percentagem de famílias com elevado nível de endividamento é mais baixa, refletindo a redução da dívida, o aumento do rendimento e a valorização dos ativos.
Na nossa publicação anterior sobre a subida dos juros dos depósitos a prazo em Portugal, destacámos que a taxa média dos novos depósitos de particulares voltou a superar 1,5% em junho, refletindo uma melhoria na remuneração das poupanças. Assinalámos também que a quase totalidade das novas aplicações se concentrou em prazos até um ano, apesar de o volume total de novas operações ter recuado face ao mês anterior.
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