Governo brasileiro estuda comprar dívidas antigas para reduzir inadimplência das famílias

Governo brasileiro estuda comprar dívidas antigas para reduzir inadimplência das famílias
Redução da inadimplência das famílias

O governo brasileiro avalia criar um novo programa social voltado para passivos antigos de consumidores, em uma tentativa de aliviar o endividamento das famílias. A iniciativa também pode melhorar a distribuição de crédito pelos bancos, num momento em que a inadimplência volta a subir no país.

Destaques

  • O governo Lula estuda comprar dívidas antigas de famílias diretamente dos bancos com descontos de até 95% do valor total.
  • Após a aquisição dos passivos, o governo pode deixar de cobrar os devedores e considerar as dívidas como quitadas, focando em débitos já sem expectativa de recebimento.
  • A inadimplência das famílias atingiu 29,9% em agosto e 12,5% declararam não ter condições de pagar dívidas atrasadas, segundo a CNC.

Plano mira passivos antigos com desconto elevado

Como noticiou o InfoMoney, citando a Folha de S. Paulo, a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda usar recursos públicos para comprar dívidas antigas diretamente dos bancos, com abatimento que pode chegar a 95% do valor total dos débitos.

De acordo com o jornal, há ainda a possibilidade de que, após adquirir esses passivos, o governo não faça novas cobranças e considere os valores quitados na prática. A proposta se concentra em dívidas para as quais as instituições financeiras já não têm expectativa de recebimento.

O desenho de um novo programa já havia sido antecipado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao EXTRA. Segundo ele, o foco principal desta vez são justamente as dívidas antigas, após a última edição do Desenrola.

Pressão da inadimplência reforça nova frente

O avanço da inadimplência reforça o contexto para a medida. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, divulgados na quinta-feira (10), mostram que a taxa volta a subir em agosto e atinge 29,9%.

No mesmo levantamento, o percentual de famílias que declaram não ter condições de pagar dívidas em atraso sobe para 12,5%. Nesse cenário, a eventual compra desses débitos pelo governo pode aliviar o orçamento das famílias e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão sobre os balanços bancários ligados à oferta de crédito.

Em nossa publicação anterior, analisamos o reajuste de 15% do Bolsa Família e como esse aumento de renda tende a chegar rapidamente ao consumo essencial das famílias de baixa renda, com reflexos mais fortes em regiões como Norte e Nordeste. Também apontamos quais empresas listadas na B3 poderiam se beneficiar desse impulso — como Grupo Mateus, Pague Menos e, em menor grau, Assaí — e o contraponto do mercado, com o risco de pressão sobre juros caso o custo fiscal aumente.

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