Comissão Europeia avança com classificação comum para eficiência de centros de dados na UE

Comissão Europeia avança com classificação comum para eficiência de centros de dados na UE
Classificação verde para data centers

Bruxelas quer aumentar a transparência sobre o impacto energético e hídrico dos centros de dados numa fase em que pretende triplicar a capacidade instalada na União Europeia até 2035. O novo sistema de classificação passa a comparar o desempenho destas infraestruturas no consumo de energia e água, bem como a sua relação com a rede elétrica e o aproveitamento de calor residual.

Destaques

  • A Comissão Europeia apresentou uma classificação comum para centros de dados com procura superior a 500 kW, padronizando métricas de energia e água a nível da UE.
  • O Sines Data Campus em Portugal, com 26 MW, está incluído nas novas regras, destacando uso de eletricidade 100% renovável e arrefecimento com água do mar.
  • Uma consulta pública aberta até 14 de dezembro prepara requisitos mínimos de desempenho para centros de dados, com proposta legislativa prevista para o segundo trimestre de 2027.

Nova métrica europeia para consumo e operação

Segundo Jornal de Negócios, citando a Comissão Europeia, o regulamento delegado apresentado esta segunda-feira cria uma classificação comum para centros de dados com procura de potência superior a 500 kW. O objetivo é transformar em escala comparável a informação que estas instalações já reportam ao abrigo da revisão da Diretiva da Eficiência Energética de 2023 e das regras de harmonização adotadas no ano seguinte.

A avaliação centra-se no uso de energia e água, mas também considera a utilização de fontes de baixa emissão e a capacidade dos centros de dados para apoiar o sistema energético, incluindo a flexibilidade do consumo e o aproveitamento do calor que produzem. No caso da água, a classificação tem ainda em conta o nível de stress hídrico da região onde cada instalação se localiza.

Segundo Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, triplicar a capacidade de centros de dados não pode significar triplicar a pressão sobre as redes, a água e as faturas de energia. Dan Jørgensen, comissário europeu da Energia e Habitação, defende que conhecer o consumo destas infraestruturas é um primeiro passo essencial para a sua integração sustentável no sistema energético.

Impacto no setor e próximos passos regulatórios

Em Portugal, as regras passam a abranger grandes projetos como o Sines Data Campus, da Start Campus. O edifício SIN01, já em operação, tem 26 MW de capacidade, bastante acima do limiar europeu de 500 kW, e a empresa afirma usar eletricidade 100% renovável e arrefecimento com água do mar, evitando consumo de água doce.

A pressão regulatória cresce num momento de forte expansão da procura computacional, sobretudo ligada à inteligência artificial. A nível mundial, os centros de dados representam atualmente cerca de 1,5% do consumo anual de eletricidade, ou 415 TWh, e as projeções apontam para 945 TWh em 2030.

Para já, a classificação não impõe limites diretos ao consumo de eletricidade ou de água, mas a Comissão Europeia já prepara uma segunda fase. Bruxelas abriu uma consulta pública de 12 semanas, até 14 de dezembro, para estudar requisitos mínimos de desempenho aplicáveis a centros de dados novos e existentes na UE, com vista a uma proposta legislativa prevista para o segundo trimestre de 2027. O regulamento delegado segue agora para escrutínio do Parlamento Europeu e do Conselho.

Na nossa cobertura anterior sobre a estratégia da Petrobras para 2050, destacámos que a empresa avalia ser necessário ampliar a presença em energias renováveis, além de recompor reservas e manter a exploração e produção, para preservar a sua relevância e continuar a fornecer cerca de um terço da energia primária do Brasil. Também referimos que a companhia reafirmou alinhamento ao Acordo de Paris, enquadrando a expansão em renováveis como resposta às metas climáticas e às exigências futuras do setor.

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