Banco Português de Fomento aumenta lucro até setembro e supera meta anual
O Banco Português de Fomento regista um resultado líquido de 8,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, ultrapassando já o total obtido em todo o ano passado. O desempenho coloca o banco público de desenvolvimento acima da meta orçamental prevista e surge num dia em que várias cotadas portuguesas apresentam resultados trimestrais mistos.
Destaques
- Banco Português de Fomento apresenta lucro até setembro 54% superior ao ano anterior, atingindo 76% do orçamento anual e superando a meta trimestral de 4,3 milhões de euros.
- Está previsto um aumento de capital de 150 milhões de euros para o BPF este ano, seguido de 450 milhões de euros anuais entre 2027 e 2029, conforme confirmado por Gonçalo Regalado.
- O cenário empresarial em Portugal mostra resultados mistos: NOS sobe 21,7% no lucro para 216,4 milhões de euros, CTT cai 39,8% para 19,8 milhões de euros, e Euronext cresce 30,2% para 194,9 milhões de euros.
Resultados do banco e reforço de capital previsto
Tal como noticiou o ThePortugalPost, o Banco Português de Fomento apresentou os resultados numa sessão na Unicorn Factory, em Lisboa, onde indicou que o lucro até setembro sobe 54% face ao mesmo período de 2025. O valor supera a previsão de 4,3 milhões de euros para o trimestre e corresponde a 76% do orçamento anual. A rendibilidade dos capitais próprios aumenta para 1,9%, acima dos 1,2% registados no mesmo ponto de 2025. A instituição mantém como objetivo atingir 3,5% até ao final da década. O diretor financeiro, Miguel Alves, afirma que o resultado líquido mostra solidez financeira, mas sublinha que a administração mede o sucesso sobretudo pelo impacto nas empresas apoiadas. Entre 2023 e 2026, o BPF apoia 19.857 empresas, que geram 19,8 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto em 2025, cerca de 12% do PIB português, além de 469 mil empregos e 17% das exportações nacionais. Os ativos líquidos crescem 2,3 vezes para 1.598 milhões de euros, impulsionados sobretudo por uma contribuição extraordinária do PRR destinada ao Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade. O presidente executivo, Gonçalo Regalado, confirma que está previsto um aumento de capital de 150 milhões de euros este ano, seguido de 450 milhões de euros por ano entre 2027 e 2029. Segundo Regalado, a primeira tranche já foi disponibilizada pelo Ministério das Finanças há vários meses, mas os fundos aguardam autorização da Comissão Europeia e aprovação subsequente do Banco de Portugal. A Comissão Europeia já aprova, entretanto, o prolongamento do mandato do BPF até 2032.Resultados empresariais mostram economia desigual
Noutro plano, as contas divulgadas no mesmo dia por várias empresas com presença em Portugal traçam um cenário misto por setores. A NOS regista um lucro líquido de 216,4 milhões de euros até setembro, mais 21,7% do que no mesmo período de 2025, com receitas de 1.399 milhões de euros, um aumento de 2,3%, apoiada na expansão dos serviços e numa cobertura 5G de 99,6% da população. A Glintt Global também apresenta ganhos, com um lucro de 7 milhões de euros, mais 22,8%, e receitas de 113 milhões de euros, em alta de 11%. Já o Novo Banco vê o lucro cair 4,1% para 585,6 milhões de euros, pressionado por um aumento de 11,1% nos custos operacionais, embora melhore o rácio de crédito malparado para 2,6% e reforce o rácio CET1 para 18,4%. Os CTT registam uma quebra de 39,8% no lucro, para 19,8 milhões de euros, apesar de as receitas subirem 9,2% para 994,7 milhões de euros. Na indústria, a Corticeira Amorim reduz o lucro em 22,4%, para 35,4 milhões de euros, penalizada por custos de reestruturação e ajustamentos, ainda que o resultado isolado do terceiro trimestre avance 16,2%. Entre grupos europeus com exposição ao mercado português, a Euronext aumenta o lucro em 30,2%, para 194,9 milhões de euros, no que classifica como o melhor desempenho trimestral desde a entrada em bolsa. A Prosegur sobe 3,6%, para 99,9 milhões de euros, enquanto a ArcelorMittal sofre uma queda de 70,8% no lucro, para 867 milhões de dólares, afetada por imparidades e desvalorizações ligadas às operações na Ucrânia.Na nossa publicação, analisámos o marco de Portugal em quatro anos consecutivos de crescimento económico com queda das emissões de gases com efeito de estufa. Em 2024, as emissões recuaram 2,8% para 52,0 milhões de toneladas de CO2 equivalente, enquanto o PIB subiu 2,7%, reduzindo a intensidade carbónica e reforçando o contexto de transição energética que influencia decisões de investimento e políticas públicas.
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