CVM amplia análise de ofertas com Anbima para notas comerciais, CRAs e CRs
A ampliação do acordo de cooperação entre a CVM e a Anbima estende o fluxo de análise de ofertas públicas a novos instrumentos do mercado de capitais. A mudança entra em vigor em 30/6/2026 e tende a reduzir o prazo de tramitação de registros ao permitir avaliação prévia pela entidade autorreguladora.
Destaques
- CVM e Anbima ampliam acordo para incluir notas comerciais, CRAs e CRs, com vigência a partir de 30/6/2026, visando aprimorar procedimentos de registro.
- Pelo modelo, Anbima avaliará pedidos de registro desses ativos, que poderão ser automaticamente registrados na CVM após parecer favorável e sem restrições.
- Desde o acordo, 105 ofertas públicas totalizando R$ 42 bilhões já foram analisadas pela Anbima, das quais 71% são fundos imobiliários.
Escopo ampliado do acordo
Como informou a Comissão de Valores Mobiliários, a matriz de ofertas coberta pelo acordo de cooperação técnica com a Anbima passa a incluir emissões de notas comerciais, Certificados de Recebíveis do Agronegócio, CRAs, e Certificados de Recebíveis, CRs. A ampliação foi aprovada em reunião da Comissão de Administração do Acordo e entra em vigor em 30/6/2026.Pelo modelo de cooperação, a Anbima avalia pedidos de registro de ofertas que, após o rito de análise e a emissão de parecer sem restrições, podem ser automaticamente registrados na CVM. Segundo Luis Miguel Sono, superintendente de Registro de Valores Mobiliários da CVM, a inclusão de novos instrumentos preserva as exigências regulatórias e contribui para o aprimoramento dos procedimentos de registro.
Antes dessa expansão, a Anbima já analisava ofertas de FIDCs, CRIs, debêntures, incluindo debêntures de securitização, FIIs, FIAGRO, fundos de infraestrutura, notas promissórias e ações em IPOs e follow-ons.
Impacto para o mercado de capitais
Zeca Doherty, diretor-executivo da Anbima, afirma que o alinhamento entre regulador e autorregulador fortalece o mercado de capitais e ajuda a formar um ambiente mais robusto e confiável. Para Guilherme Benaderet, superintendente de Supervisão de Mercados da entidade, a entrada de novos instrumentos contribui para dar mais agilidade ao mercado e reduzir o tempo de análise das ofertas.Até agora, 105 ofertas públicas já são analisadas pela Anbima no âmbito do acordo com a CVM, somando R$ 42 bilhões em volume financeiro registrado no regulador. A maior parte dessas operações, 71%, refere-se a fundos imobiliários.
Em outra frente de cooperação, o Colegiado da CVM aprova em 3/7/2026 um novo acordo com a Anbima para a manutenção evolutiva do Sistema SRE, usado no registro de ofertas públicas.
Na nossa publicação anterior, analisámos como a recente subida da Euribor, após o BCE ter aumentado as taxas diretoras em junho de 2026, voltou a pressionar as prestações do crédito à habitação em Portugal. O texto destacou que a forte exposição a taxas variáveis mantém as famílias vulneráveis à volatilidade e reforçou a importância de acompanhar os sinais de política monetária, que influenciam diretamente o custo do financiamento.
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