CaetanoBus reforça capital em 15 milhões de euros e reconfigura acionistas após perdas
A CaetanoBus avança com um aumento de capital de 15 milhões de euros para reforçar o investimento na mobilidade urbana e aeroportuária, num momento de pressão financeira e enfraquecimento do negócio de autocarros de turismo. A operação coincide com prejuízos acumulados, queda das receitas em 2025 e uma nova redução de postos de trabalho em Vila Nova de Gaia.
Destaques
- CaetanoBus realiza aumento de capital de 15 milhões de euros, diluindo Mitsui & Co. para 19,7% e reforçando posição da Toyota Caetano Portugal e da Fundação Salvador Caetano.
- A empresa registou prejuízos de 13,8 milhões de euros em 2025, com quebra de 12% no volume de negócios para 118,3 milhões de euros, penalizada por turismo e produção urbana.
- Novo despedimento coletivo de 88 trabalhadores em Vila Nova de Gaia resulta do cancelamento de 60% das encomendas da National Express a partir de outubro de 2025.
Reforço financeiro e mudança acionista
Como avançou o ECO, a operação de capital não foi acompanhada pela Mitsui & Co., que vê a sua participação diluir-se para 19,7%, face a cerca de 38% no final de 2024. Em paralelo, a Toyota Caetano Portugal reforça a posição no capital e a Fundação Salvador Caetano passa a integrar a estrutura acionista.O aumento de capital surge com o objetivo de sustentar o investimento nos segmentos de mobilidade urbana e aeroportuária. A reconfiguração da base acionista ocorre numa fase em que a fabricante procura responder à deterioração dos resultados e à necessidade de reforçar meios financeiros para áreas consideradas estratégicas.
Pressão operacional e impacto no emprego
Em 2025, a CaetanoBus regista prejuízos de 13,8 milhões de euros e uma quebra de 12% no volume de negócios, para 118,3 milhões de euros. O desempenho é penalizado sobretudo pela contração no segmento do turismo e por um contributo mais fraco da produção urbana, mantendo pressão sobre a rentabilidade operacional.A empresa enfrenta também um novo despedimento coletivo de 88 trabalhadores em Vila Nova de Gaia. A decisão surge depois de a britânica National Express cancelar 60% das encomendas a partir de outubro de 2025, agravando o impacto sobre a atividade industrial e o emprego numa unidade relevante para o setor automóvel nacional.
Na nossa publicação anterior sobre o crescimento das matrículas de veículos novos em Portugal, destacámos que o mercado registou 24.969 novas matrículas em abril (+14,4%) e somou 98.722 unidades no acumulado dos primeiros quatro meses, o melhor registo para este período desde pelo menos 2005. O texto sublinhou ainda um ambiente de procura robusta, com os ligeiros de passageiros a liderarem o volume e os pesados a evidenciarem o ritmo de crescimento mais forte.
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