Exportações portuguesas de componentes automóveis mantêm queda até abril
As vendas externas portuguesas de componentes automóveis continuam a recuar no arranque de 2026, num contexto de abrandamento da indústria automóvel europeia e menor atividade dos principais clientes do setor. Entre janeiro e abril, as exportações somam 4.016 milhões de euros, menos 6,4% do que no mesmo período de 2025, apesar de abril ter registado um valor mensal acima de mil milhões de euros.
Destaques
- As exportações portuguesas de componentes automóveis caíram 6,4% até abril de 2026, totalizando 1.033 milhões de euros em abril, segundo a AFIA.
- A Europa representou 88,4% das exportações com queda de 6,5%, enquanto EUA recuaram 22% e Ásia-Oceânia caíram 4,3%; África-Médio Oriente subiram 13,3%.
- O setor, responsável por 14,8% das exportações nacionais, pressiona por energia competitiva e estabilidade regulatória frente à desaceleração da indústria na Europa.
Dados até abril mostram recuo nos principais mercados
Segundo dados da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, AFIA, as exportações de componentes automóveis fabricados em Portugal atingem 1.033 milhões de euros em abril, o que representa uma ligeira variação negativa de 0,4% em termos homólogos. No acumulado dos primeiros quatro meses de 2026, a quebra agrava-se para 6,4% face ao mesmo período de 2025.A Europa mantém-se como o principal destino das vendas externas do setor, concentrando 88,4% das exportações nacionais, mas também regista uma descida de 6,5% até abril. Fora do mercado europeu, as exportações para os U.S. recuam 22% e as destinadas à Ásia e Oceânia caem 4,3%, enquanto África e Médio Oriente avançam 13,3%.
No espaço europeu, Espanha continua a ser o principal mercado, com uma quota de 27,9%, seguida da Alemanha, com 22,2%, e de França, com 9,6%. As vendas para Espanha diminuem 10% e para a Alemanha 4%, enquanto França apresenta uma evolução positiva de 4,5%; entre outros mercados em crescimento surgem ainda Polónia, Países Baixos, Itália e Marrocos.
Setor pede energia competitiva e estabilidade regulatória
Com um peso de 14,8% nas exportações totais do país, o setor dos componentes automóveis continua pressionado pelo abrandamento da indústria automóvel no Velho Continente. A redução da atividade dos clientes europeus tem impacto direto nas encomendas às empresas portuguesas e contribui para o arrefecimento da produção e das vendas externas.Em comunicado, o presidente da AFIA, José Couto, afirma que o setor opera num contexto internacional particularmente exigente, marcado pela desaceleração dos principais mercados europeus e pela volatilidade gerada pelas tensões comerciais. Ainda assim, defende que esse quadro não deve travar a modernização e a qualificação competitiva da indústria.
Para reforçar a competitividade, a produtividade e a escala, a associação aponta a necessidade de energia a custos mais competitivos, financiamento alinhado com os objetivos industriais, infraestruturas logísticas adequadas, talento qualificado e estabilidade regulatória. A posição da AFIA sugere que o custo da energia continua a ser visto como um fator com vantagens claras na atratividade industrial de Portugal.
Na nossa publicação, analisámos a competitividade energética de Portugal como um fator que pode dar ao país “vantagens claras” na atração de investimento e localização industrial, num contexto europeu de custos elevados e reconfiguração das cadeias produtivas. O artigo destacou que empresas e investidores valorizam custos operacionais e previsibilidade de abastecimento, mas que permanecem desafios como financiamento, regulação e burocracia, apontando também para a importância de acelerar licenciamentos para reforçar a atratividade.
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