Ásia aprofunda venda em tecnológicas, com Kospi a cair mais de 8%

Ásia aprofunda venda em tecnológicas, com Kospi a cair mais de 8%
Tecnológicas em forte queda

Os mercados asiáticos encerram a sessão de quinta-feira em forte queda, pressionados pela continuação da liquidação nas ações de fabricantes de semicondutores e pelo aumento da aversão ao risco. O movimento alastra às perspetivas para a Europa e para os U.S., numa altura em que os receios sobre a rendibilidade dos investimentos em inteligência artificial e a inflação mais elevada reduzem o apetite por ativos arriscados.

Destaques

  • O índice MSCI Asia Pacific cai 2,87% e o Kospi afunda mais de 8%, penalizado por quedas superiores a 11% da Samsung e da SK Hynix.
  • A Taiwan Semiconductor Manufacturing desce cerca de 2% antes de resultados trimestrais que superam expectativas, mas margens desiludem investidores.
  • Ações da CoreWeave recuam mais de 15% nos U.S. devido a preocupações sobre obrigações, bolha em inteligência artificial e inflação acima do esperado em 3,7% em setembro.

Queda dos semicondutores domina sessão asiática

Como noticiou o Jornal de Negócios, o índice MSCI Asia Pacific segue com perdas de 2,87%, encaminhando-se para a pior sessão desde julho, num contexto em que o setor dos chips continua sob forte pressão.

Na Coreia do Sul, o Kospi afunda mais de 8%, penalizado pelas quedas superiores a 11% da Samsung e da SK Hynix, duas das principais cotadas ligadas aos semicondutores. Em Taiwan, a Taiwan Semiconductor Manufacturing perde cerca de 2% antes de divulgar resultados trimestrais que superam as expectativas dos analistas, embora as margens desiludam o mercado.

Entre as restantes praças asiáticas, o Shanghai Composite recua 1,62%, o Hang Seng perde 1,32% e o Nikkei 225 cede quase 5%. Na Austrália, o ASX 200 mostra maior resistência relativa, com uma descida de apenas 0,1%.

Receios com IA e inflação pressionam sentimento global

O pessimismo deverá prolongar-se na abertura europeia, com os futuros do Euro Stoxx 50 a apontarem para perdas de cerca de 0,8%, ainda que os principais índices do continente tenham menor exposição ao setor tecnológico do que os mercados asiáticos.

Nos U.S., a expectativa é também de nova sessão no vermelho, depois das quedas de quarta-feira. As ações da CoreWeave recuam mais de 15%, numa reação ao comportamento das obrigações da empresa de computação em nuvem para inteligência artificial, que atingem níveis associados a dificuldades financeiras.

Os investidores continuam a reagir aos receios de uma eventual bolha na inteligência artificial e à preocupação de que os megainvestimentos no setor possam demorar a gerar retorno. A agravar o quadro, a inflação acelera 3,7% em setembro, acima do esperado, reforçando a procura por ativos de refúgio.

Hiroshi Namioka, estratega-chefe da T&D Asset Management, afirma à Bloomberg que os investidores estão a reduzir risco e a transferir o máximo de capital possível para ativos considerados seguros. Segundo o responsável, o mercado assiste a um movimento forte e típico de aversão ao risco.

No nosso artigo anterior sobre a queda do Nasdaq 100, destacámos que o índice recuou 2,01% com a pressão vendedora a intensificar-se e com o preço a cair abaixo da média móvel de 20 dias, sinalizando fraqueza no curto prazo. A análise também apontou que, apesar de a tendência de médio e longo prazo permanecer em alta, a falta de catalisadores positivos mantinha o mercado vulnerável e com suporte crítico a ser testado.

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