Reajustes de planos de saúde desaceleram no Brasil e reforçam leitura neutra para operadoras

Reajustes de planos de saúde desaceleram no Brasil e reforçam leitura neutra para operadoras
Planos de saúde desaceleram

Os reajustes dos planos de saúde corporativos no Brasil perdem ritmo entre junho e agosto de 2026, num contexto de melhoria do controle da sinistralidade pelas operadoras. A média de alta fica em 7,1%, abaixo dos 8,2% dos 12 meses anteriores, enquanto os dados também mostram diferenças relevantes entre companhias como Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil e Hapvida.

Destaques

  • A média dos reajustes de planos corporativos desacelera para 7,1% entre junho e agosto de 2026, ante 8,2% nos 12 meses anteriores, com melhor controle da sinistralidade.
  • A Bradesco Saúde registra reajuste médio de 12,9%, estável e acima do setor, enquanto SulAmérica mantém baixos 5,3% e Amil reduz para 6,5% no período.
  • Para Hapvida, reajuste de 9,3% reflete revisão de contratos com baixa rentabilidade e o Goldman Sachs mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 8.

Dados regulatórios mostram desaceleração dos aumentos

Segundo InfoMoney, conforme análise do Goldman Sachs com base em dados publicados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a média dos reajustes nos planos corporativos entre junho e agosto de 2026 fica em 7,1%, abaixo dos 8,2% observados na média dos 12 meses anteriores.

A desaceleração ocorre num ambiente de melhor controle da sinistralidade, indicador que relaciona despesas assistenciais e receitas das operadoras, além de um ritmo mais moderado de correção de preços. O banco ressalva, porém, que os dados regulatórios podem divergir dos números efetivamente reportados pelas empresas e, por isso, servem sobretudo para comparação relativa entre operadoras.

Os analistas Marcio Osako e Larissa Monte, do Bradesco BBI, classificam os números como neutros para o setor, uma vez que já esperavam aumentos em patamar de um dígito alto ao longo de 2026. Na mesma linha, a leitura para a Hapvida também é neutra devido a níveis ainda baixos de reajuste, enquanto a estabilidade da SulAmérica é vista como sinal de ganhos de eficiência em controle de custos e expansão de portfólio.

Diferenças entre operadoras orientam visão para as ações

A Bradesco Saúde registra reajuste médio de 12,9% nos contratos corrigidos entre junho e agosto, considerando apenas o registro da Bradesco Saúde S.A. na ANS. O percentual permanece estável em relação à média dos últimos 12 meses e acima do nível do setor.

Para o Goldman Sachs, esses números podem refletir principalmente reajustes de contratos antigos. O banco aponta que declarações recentes da companhia e o forte crescimento das adições líquidas de beneficiários sugerem uma mudança gradual de estratégia, após anos de uma política mais conservadora de preços para controlar a sinistralidade.

A Amil continua reduzindo o ritmo dos reajustes, com média de 6,5% nos últimos três meses, abaixo dos 7,6% do acumulado de 12 meses. Segundo o Goldman Sachs, a tendência é compatível com o crescimento da base de beneficiários mostrado nos dados regulatórios, com adições líquidas consistentes nos últimos meses.

A SulAmérica mantém reajustes relativamente baixos, de 5,3% entre junho e agosto, ante 6,7% na média dos últimos 12 meses. Na avaliação do banco, os dados reforçam a percepção de que a melhora da sinistralidade nos últimos trimestres não decorre de aumentos de preços, mas de medidas para racionalizar reembolsos e combater fraudes, enquanto a companhia tende a seguir expandindo a base com contratos selecionados e negociados com disciplina para preservar a rentabilidade.

Na Hapvida, os reajustes dos planos corporativos ficam em 9,3% entre junho e agosto, abaixo dos 10,7% da média dos últimos 12 meses, mas ainda acima do patamar setorial. Para o Goldman Sachs, o resultado reflete a revisão de preços de contratos com baixa rentabilidade anunciada pela companhia, estratégia que deve sustentar preços médios mais elevados, embora possa continuar pressionando a evolução líquida da base de beneficiários nos próximos trimestres. O banco reitera recomendação neutra e preço-alvo de R$ 8.

Na nossa análise anterior sobre o rali das ações de saúde após o primeiro turno, explicámos que a alta do setor foi sustentada principalmente pela queda dos juros, que reduz o custo de capital e melhora as projeções de lucro, especialmente em empresas mais alavancadas. Também apontámos que uma nova compressão do prêmio de risco do Brasil poderia abrir espaço para ganhos adicionais em nomes como Bradesco Saúde, Rede D’Or e Hapvida, conforme os modelos de valuation ajustados à curva de juros.

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