Bradesco recebe reforço de compra do Morgan Stanley após queda de 37%

Bradesco recebe reforço de compra do Morgan Stanley após queda de 37%
Bradesco ganha novo impulso

Depois de uma sequência de rebaixamentos no período pós-eleição, o Bradesco passa a contar com uma visão mais construtiva do Morgan Stanley sobre suas ações. O banco vê desconto recorde nos papéis, mesmo em um ambiente macroeconómico mais difícil para o setor financeiro brasileiro, e avalia que a correção abriu uma oportunidade de investimento.

Destaques

  • Morgan Stanley manteve recomendação equivalante à compra para Bradesco, mesmo após queda de 37% dos ADRs desde o segundo turno da eleição presidencial.
  • Preço-alvo dos ADRs foi revisado de U.S.$ 5,50 para U.S.$ 4,75, refletindo ainda um potencial de alta de 85% sobre o último fechamento.
  • Bradesco negocia a 0,7 vez o valor patrimonial, desconto de 62% frente ao Itaú Unibanco, enquanto reforma operacional busca reduzir custos e reforçar a carteira de crédito garantida.

Avaliação do Morgan Stanley e argumentos de valorização

Segundo o InfoMoney Mercados, o Morgan Stanley reiterou nesta semana a recomendação equivalente à compra, ou overweight, para os ADRs do Bradesco negociados em Nova York, após a ação acumular queda de 37% desde o segundo turno da eleição presidencial.

Embora tenha reduzido o preço-alvo do ADR BBD de U.S.$ 5,50 para U.S.$ 4,75, o banco ainda aponta potencial de alta de 85% em relação ao último fecho. Na avaliação da instituição, o mercado pune o Bradesco em excesso e passa a embutir um cenário demasiado pessimista para os fundamentos do banco.

O relatório destaca que o Bradesco negocia a 0,7 vez o seu valor patrimonial, perto do menor nível da última década, mesmo com retorno sobre património líquido, ROE, de 16,6%. Para os analistas, um nível de rentabilidade como esse historicamente justificaria múltiplos mais elevados.

O Morgan Stanley também chama atenção para o desconto frente ao Itaú Unibanco, que chega a 62% em termos de preço sobre valor patrimonial, o maior em dez anos. Na leitura do banco, essa diferença não encontra sustentação proporcional na distância de rentabilidade entre as duas instituições.

Pressão setorial e efeitos esperados da reestruturação

O posicionamento do Morgan Stanley contrasta com o movimento recente de outras casas, depois de Citi, JPMorgan e Itaú BBA terem rebaixado as suas recomendações para o Bradesco nas últimas semanas. Essas revisões negativas refletem preocupações com o quadro fiscal, juros elevados e perspetivas mais difíceis para o setor financeiro doméstico.

Como referência, o banco compara o nível atual de avaliação com o período de 2015 e 2016, durante a recessão brasileira e a crise política que culminou no impeachment de Dilma Rousseff. Mesmo naquele contexto, o Bradesco chegou a negociar perto de uma vez o seu valor patrimonial, acima das 0,7 vez observadas agora.

O relatório ainda aponta para a transformação operacional em curso no banco, com digitalização, fecho de agências e programas de eficiência que devem continuar a reduzir custos nos próximos anos. Além disso, a carteira de crédito torna-se mais conservadora, com maior peso de linhas garantidas, como crédito consignado, financiamento imobiliário e crédito para veículos.

Na visão do Morgan Stanley, essas medidas ajudam a proteger os resultados mesmo num cenário de desaceleração económica. Embora reconheça riscos como atividade mais fraca, aumento da inadimplência e incerteza fiscal, o banco entende que o preço atual das ações já incorpora grande parte dessas preocupações e oferece uma relação risco-retorno atrativa para investidores dispostos a enfrentar volatilidade no curto prazo.

Na nossa matéria anterior sobre a queda do Ibovespa após a reeleição de Lula, destacamos como as preocupações com a política fiscal e a incerteza sobre a condução econômica intensificaram a aversão ao risco e ampliaram as perdas, especialmente entre os grandes bancos e ações domésticas. Também apontamos que os sinais técnicos indicavam pressão vendedora persistente e condições de sobrevenda, elevando a probabilidade de novas quedas no curto prazo.

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