Construtoras de baixa renda devem liderar resultados do 3T26 no Brasil

Construtoras de baixa renda devem liderar resultados do 3T26 no Brasil
Baixa renda lidera 3T26

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 tende a confirmar uma piora do ambiente para a construção civil no Brasil, com juros altos, crédito mais restritivo e aumento dos distratos a pressionarem o setor. Mesmo nesse contexto, incorporadoras expostas ao programa Minha Casa Minha Vida devem mostrar desempenho relativamente melhor do que empresas voltadas aos segmentos de média e alta renda.

Destaques

  • Cury deve liderar o segmento de baixa renda no 3T26, com lucro líquido de R$ 308 milhões (+21%) e receita líquida de R$ 1,8 bilhão segundo BTG.
  • Construtoras de média e alta renda, como Eztec, enfrentam cenário mais pressionado, com queda de 27–32% nos lançamentos e estoques equivalentes a 22 meses de vendas.
  • Alta de cerca de 100 pontos-base nos juros reais de longo prazo aumenta riscos para empresas de média e alta renda e sinaliza preocupação inflacionária no setor.

Projeções para a temporada de resultados

Conforme análise do InfoMoney Mercados, bancos e corretoras veem um terceiro trimestre mais fraco para a construção civil, embora com diferenças relevantes entre os segmentos. A XP Investimentos avalia que os dados operacionais já sinalizam moderação da atividade, com lançamentos abaixo do esperado na maior parte das companhias, desaceleração das vendas e avanço dos distratos entre julho e setembro.

Na leitura da XP, a demanda por imóveis de baixa renda continua relativamente resiliente por causa do suporte do Minha Casa Minha Vida, enquanto as incorporadoras de média e alta renda seguem num ambiente mais desafiador. BTG Pactual e Itaú BBA compartilham essa avaliação e classificam o período como mais um trimestre fraco para o setor.

No segmento de baixa renda, o Itaú BBA afirma que os lançamentos consolidados recuam 13% na comparação anual e que os cancelamentos sobem cerca de 50% frente ao mesmo período de 2025, refletindo critérios mais rígidos de crédito pela Caixa Econômica Federal. As vendas líquidas ficam 14% abaixo das estimativas do banco, mas a rentabilidade segue relativamente resiliente, ajudada também por custos de construção ainda controlados.

Entre os destaques positivos, a Cury deve liderar a temporada. O BTG projeta lucro líquido de R$ 308 milhões, alta de 21%, receita líquida de R$ 1,8 bilhão e retorno sobre patrimônio próximo de 70%, enquanto o Itaú BBA estima crescimento de 14% no lucro por ação e geração de caixa de R$ 254 milhões.

A Tenda também deve mostrar avanço relevante, com alta de 24% no lucro na projeção do BTG e de 39% no lucro ajustado na estimativa do Itaú BBA, beneficiada por melhora de margens e corte de custos. A Direcional tende a preservar margens elevadas, embora com lucro mais estável, e a MRV&Co deve registrar melhora operacional, com receita líquida 12% maior na comparação anual e lucro perto de R$ 140 milhões, segundo o Itaú BBA.

Já a Plano & Plano aparece entre as empresas mais expostas à desaceleração operacional nesse grupo. O Itaú BBA projeta queda de cerca de 30% no lucro líquido da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Pressão maior em média e alta renda

Nas incorporadoras voltadas à média e alta renda, o quadro permanece mais pressionado. O BTG aponta queda de 27% nos lançamentos do segmento na comparação anual no terceiro trimestre e desaceleração de cerca de 5 pontos percentuais na velocidade média de vendas, além de estimar crescimento próximo de zero para a receita líquida consolidada e recuo de 20% no lucro líquido.

O Itaú BBA descreve cenário semelhante, com retração de 32% dos lançamentos consolidados em base anual e vendas líquidas cerca de 30% abaixo das expectativas da instituição. Os estoques continuam elevados, equivalentes a aproximadamente 22 meses de vendas, acima dos 19 meses do trimestre anterior.

Mesmo assim, a Cyrela tende a se destacar entre as empresas mais resilientes do segmento. O BTG projeta lucro líquido de R$ 478 milhões e geração de caixa de cerca de R$ 300 milhões, enquanto o Itaú BBA estima crescimento de 19% no lucro e fluxo de caixa livre de R$ 220 milhões.

A Moura Dubeux também aparece entre os nomes com viés positivo, com projeção de alta de 30% no lucro líquido e ROE de 26% pelo BTG. Para o Itaú BBA, os lucros avançam 25%, impulsionados pelo reconhecimento de vendas de terrenos em condomínios e por melhores resultados financeiros.

Na ponta negativa, Eztec surge entre as mais pressionadas, com estimativas de queda de 28% a 45% no lucro por causa de menor receita, compressão de margens e baixa velocidade de vendas. Even e Melnick também devem reportar números mais fracos.

Apesar da desaceleração operacional, as análises convergem num ponto de alívio para o setor: os custos de construção seguem relativamente controlados e ajudam a sustentar margens. Ainda assim, o ambiente macroeconômico volta a piorar após as eleições, e o Itaú BBA ressalta que a alta de cerca de 100 pontos-base nos juros reais de longo prazo nos últimos dias amplia os riscos para empresas mais expostas à renda média e alta, ao mesmo tempo em que reforça preocupações com inflação de custos no segmento de baixa renda.

Na nossa matéria anterior sobre a prévia operacional da Direcional no 3º trimestre, detalhámos a geração de caixa operacional de R$ 228 milhões e a desaceleração comercial no segmento de habitação econômica. Também destacámos a queda das vendas líquidas e dos lançamentos, pressionadas por distratos acima do normal e pelo adiamento de parte da oferta para setembro, em linha com um movimento observado em outras incorporadoras do setor.

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