Protesto em Lisboa pressiona projeto hoteleiro do Quartel da Graça
A contestação ao hotel de luxo previsto para o antigo Quartel da Graça volta a ganhar visibilidade em Lisboa, numa altura em que as obras avançam no imóvel concessionado ao grupo Sana. O protesto reúne críticas à pressão turística e ao uso do património público, enquanto o projeto enfrenta também dúvidas sobre o calendário de pagamento das rendas ao Estado.
Destaques
- Cerca de 100 pessoas protestaram em Lisboa contra o hotel de cinco estrelas do grupo Sana no Quartel da Graça, pressionando politicamente o projeto.
- O grupo Sana tem concessão de 50 anos, pagando 1,79 milhões de euros anuais, com investimento previsto de 30 milhões de euros, mas as obras só arrancam em 2026.
- Se o pedido de adiar o início dos pagamentos das rendas para março de 2030 for aceito, o Estado pode perder 13 milhões de euros em receitas.
Manifestação reacende oposição ao investimento
Como noticiou o Jornal de Negócios, cerca de uma centena de pessoas manifestou-se neste domingo junto ao Quartel da Graça, em Lisboa, contra a instalação de um hotel de cinco estrelas no antigo edifício militar. A iniciativa, promovida pela Assembleia da Graça, Parar o Hotel no Quartel, decorreu entre as 14:00 e as 18:00 e incluiu música, venda de comida e intervenções contra a especulação imobiliária e a gentrificação da cidade.Entre os cartazes visíveis no protesto estavam mensagens como “Menos Turismo e mais Bairro” e “Menos Hotéis e Mais Casas”. Em declarações aos jornalistas, Mariana Soares, membro do movimento, afirmou que a contestação ao projeto dura há mais de dois anos e que a mobilização se intensifica nos últimos meses devido ao avanço das obras.
Segundo a representante do movimento, os moradores defendem que o quartel seja destinado a equipamentos e atividades ao serviço da comunidade, incluindo espaços culturais, artísticos e associativos, habitação, biblioteca e infraestruturas para jovens e idosos. A Acampada de Lisboa tinha decidido participar na ação em Assembleia Popular, mas não existiu manifestação pública desses elementos.
Concessão, atraso e impacto financeiro
O Quartel da Graça, situado na freguesia de São Vicente, integrou a lista de imóveis históricos a reabilitar no âmbito do programa Revive, apresentado em 2019 pelo então Governo do PS. A concessão foi atribuída ao grupo Sana por 50 anos, com uma renda anual de 1,79 milhões de euros, para a instalação de um hotel de luxo.O investimento inicialmente estimado para o projeto foi de 30 milhões de euros, com abertura prevista para o final de 2022, mas esse prazo não foi cumprido e as obras de construção apenas arrancaram em 2026. Em julho, o movimento Parar o Hotel no Quartel da Graça alertou para uma possível perda de 13 milhões de euros para o Estado caso seja aceite o pedido do grupo Sana para adiar o início dos pagamentos das rendas para março de 2030.
O grupo hoteleiro justificou esse pedido com a demora na obtenção da licença necessária para as obras. O Ministério das Finanças solicitou um parecer jurídico à sociedade de advogados PLMJ para avaliar o caso, acrescentando uma dimensão financeira e contratual ao debate sobre o futuro do imóvel.
Na nossa publicação, analisámos as medidas do Governo para acelerar respostas à falta de habitação através de construção modular, incluindo um acordo-quadro para que as autarquias possam agregar projetos e ganhar escala junto de investidores. O texto destacou também a modernização regulatória (como a revisão do RGEU, o futuro Código da Construção e a estratégia nacional BIM) e a aposta em soluções mais industrializadas e sustentáveis, como sistemas desmontáveis e maior uso de madeira.
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