Portugal avança com cortes no IRS e IRC no Orçamento do Estado para 2027

Portugal avança com cortes no IRS e IRC no Orçamento do Estado para 2027
Cortes fiscais em 2027

O Orçamento do Estado proposto para 2027 reforça a estratégia do Governo de aliviar a carga fiscal e aumentar rendimentos de famílias, pensionistas e empresas em Portugal. O pacote inclui a sexta descida consecutiva no IRS, a subida do salário mínimo para 970 euros e um corte da taxa de IRC para 18%, mas ainda depende de debate e aprovação no parlamento.

Destaques

  • O Orçamento do Estado para 2027 prevê atualização dos nove escalões do IRS em 3,88%, elevação do limiar de isenção e manutenção das taxas face a 2026.
  • A taxa de IRC para empresas desce para 18% em 2027, com PMEs mantendo 15% sobre os primeiros 50.000 euros de lucro, estimando-se alívio fiscal acumulado de 900 milhões de euros.
  • A dívida pública portuguesa deverá cair para menos de 85% do PIB em 2027, mas persistem riscos associados ao envelhecimento populacional e pagamentos de juros em torno de 7,1 mil milhões de euros.

Medidas fiscais e salariais previstas para 2027

Conforme noticiado pelo ThePortugalPost, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, apresentou em Lisboa as principais medidas do Orçamento do Estado para 2027 numa conferência organizada pela Universidade Católica em parceria com a KPMG. O governante enquadra a proposta como uma continuação do alívio fiscal e do reforço de rendimento, indicando que a folga acumulada para as famílias desde a entrada em funções do Executivo soma 2,8 mil milhões de euros.

A proposta atualiza os nove escalões do IRS em 3,88%, elevando os limiares de rendimento sujeitos a cada taxa, embora as taxas em si permaneçam inalteradas face a 2026. O limiar de existência mínima, isento de imposto para cobrir necessidades básicas, também sobe, passando a corresponder ao maior valor entre 13.580 euros e 1,5 vezes o Indexante dos Apoios Sociais multiplicado por 14 meses.

O regime do IRS Jovem mantém-se para apoiar licenciados no início de carreira, e continuam igualmente as isenções de IRS e contribuições sociais sobre prémios de desempenho ou produtividade até 6% do salário anual base. Para os trabalhadores por conta de outrem, estas alterações deverão traduzir-se num aumento moderado do rendimento líquido mensal, sobretudo por efeito da atualização dos escalões.

Do lado salarial, o salário mínimo nacional sobe para 970 euros por mês em 2027. Os trabalhadores da administração pública também beneficiam de aumentos ao abrigo do acordo de valorização salarial já em vigor, ainda que esta proposta não detalhe uma nova percentagem específica.

Impacto em pensionistas, habitação e empresas

O Complemento Solidário para Idosos regista o quarto aumento consecutivo, com o valor de referência a subir de 670 euros mensais em 2026 para 720 euros em janeiro de 2027. A medida dirige-se a pensionistas com baixos recursos e mantém o acesso associado a apoios como descontos em medicamentos, consultas médicas e óculos, desde que os beneficiários cumpram os critérios de idade, residência e rendimento.

Na habitação, os compradores de primeira casa continuam a beneficiar de isenção de IMT e Imposto do Selo. No caso dos jovens, a isenção total passa a abranger imóveis até 338.141 euros, enquanto os imóveis entre 338.141 euros e 676.185 euros ficam sujeitos a uma taxa de IMT de 8% no regime jovem; acima desse teto, deixa de haver benefício.

Para as empresas, a taxa de IRC baixa para 18% no ano fiscal de 2027, na terceira redução consecutiva, enquanto as pequenas e médias empresas mantêm a taxa reduzida de 15% sobre os primeiros 50.000 euros de lucro tributável. O Governo sustenta que esta descida deverá libertar capital para investimento, aumentos salariais e competitividade, depois de estimar um alívio fiscal acumulado de cerca de 900 milhões de euros para o tecido empresarial.

Joaquim Miranda Sarmento afirma também que a dívida pública continua a ser a principal preocupação das finanças públicas, com projeções a apontarem para um rácio da dívida abaixo de 85% do PIB em 2027. Ainda assim, instituições independentes alertam para a pressão do envelhecimento demográfico, para o aumento esperado dos encargos com pensões e saúde e para pagamentos de juros da dívida em torno de 7,1 mil milhões de euros em 2027.

A proposta segue agora para o parlamento, onde será debatida, sujeita a alterações e votada. Se for aprovada, as medidas entram em vigor a 1 de janeiro de 2027, com reflexo nos recibos de vencimento, nas liquidações fiscais e nos apoios pagos aos pensionistas elegíveis.

Na nossa publicação anterior sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2027, detalhámos as principais mudanças fiscais previstas, incluindo a atualização dos escalões do IRS, a descida do IRC e o alargamento dos limites de isenção no IMT para a compra de habitação, sobretudo no regime jovem. Também destacámos a manutenção e prorrogação de vários incentivos e prazos de cumprimento fiscal para empresas, com efeitos diretos no rendimento disponível e nos custos associados à habitação e à atividade empresarial.

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