Gestores multimercados ampliam posições vendidas na Bolsa e elevam pessimismo com o Brasil
O sentimento dos gestores multimercados em relação à economia brasileira atinge em novembro o pior nível da série histórica, num movimento que também enfraquece o apetite por ações locais. A mudança de posicionamento inclui maior aposta na alta do dólar e revisão para cima da inflação de 2026, com corte na projeção de crescimento do PIB.
Destaques
- 95% das 20 gestoras multimercados macro consultadas pela XP Investimentos têm visão negativa sobre o Brasil, contra 55% em setembro.
- Pela primeira vez no ano, as posições vendidas em ações brasileiras superam as compradas, com 30% das gestoras apostando na queda da Bolsa.
- Estimativa de inflação para 2026 sobe de 4,97% para 5,24% e previsão de crescimento do PIB recua de 1,78% para 1,68% entre as gestoras.
Pesquisa da XP mostra mudança de alocação
Segundo Exame, conforme levantamento da XP Investimentos divulgado na quarta-feira, 4, 95% das 20 gestoras multimercados macro consultadas têm visão negativa sobre o Brasil, acima dos 55% registados na sondagem anterior, realizada em setembro. Nenhuma das casas consultadas indica uma perspetiva positiva para a economia, enquanto 5% mantêm avaliação neutra.A piora das expectativas também aparece na alocação em ações brasileiras. Pela primeira vez no ano, as posições vendidas superam as compradas, com 30% das gestoras a apostar na queda da Bolsa e 25% a manter posições compradas.
O inquérito é realizado pela equipa de fundos da XP entre 26 e 30 de outubro, num período marcado pela forte reprecificação dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, no domingo, 25.
Impacto nas apostas cambiais e nas projeções macro
A mudança mais acentuada ocorre no câmbio. Em setembro, 64% dos gestores estavam vendidos em dólar, à espera de valorização do real, e 36% estavam comprados na moeda norte-americana; na pesquisa mais recente, 70% passam a apostar na alta do dólar e 30% mantêm posições vendidas.O resultado eleitoral contraria a expectativa de parte dos investidores, que tinham incorporado aos preços dos ativos a possibilidade de alternância de poder e de mudanças na condução da política económica.
As projeções macroeconómicas dos gestores também refletem esse agravamento do cenário. A estimativa de inflação para 2026 sobe de 4,97% para 5,24%, enquanto a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto recua de 1,78% para 1,68%.
Em nossa matéria anterior sobre a queda do Ibovespa após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, destacamos que o índice ampliou as perdas com vendas intensas e maior aversão ao risco, em meio a preocupações com o rumo fiscal e incertezas sobre a condução econômica. Também apontamos que os sinais técnicos seguiam majoritariamente baixistas, com o mercado operando abaixo de médias móveis relevantes e indicadores de momentum sugerindo pressão vendedora e risco de novas quedas.
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