Porto aprova transportes públicos gratuitos com custo anual estimado de 20,5 milhões de euros

Porto aprova transportes públicos gratuitos com custo anual estimado de 20,5 milhões de euros
Transporte gratuito no Porto

A Câmara do Porto avança com um modelo de gratuitidade dos transportes públicos para residentes, numa medida que abrange toda a Área Metropolitana e que tem entrada prevista em 1 de janeiro de 2027. O executivo quer antecipar a aplicação para este verão, mas a produção de efeitos financeiros e operacionais fica dependente do contrato com a Transportes Metropolitanos do Porto e do visto do Tribunal de Contas.

Destaques

  • O Porto aprovou transporte público gratuito com custo anual máximo estimado de 20,5 milhões de euros, substituindo o atual modelo tarifário.
  • A gratuitidade entra em vigor a 1 de janeiro de 2027, com dotação orçamental prevista de 10,25 milhões de euros em 2026 e 18,7 milhões em 2027.
  • A medida poderá beneficiar 59.381 utilizadores e enfrenta dúvidas sobre capacidade, sustentabilidade financeira e métricas de execução expressas por vários partidos.

Modelo tarifário e calendário de implementação

Como noticiou o Jornal de Negócios, a Assembleia Municipal do Porto aprovou na segunda-feira à noite a proposta de transportes públicos gratuitos, com apenas o voto contra do Chega e as abstenções da CDU e do grupo municipal "Filipe Araújo: Fazer à Porto". A medida substitui o modelo atual por um título tarifário integrado associado ao Cartão Porto., com âmbito territorial equivalente ao Passe Metropolitano Andante e acesso aos serviços de transporte público abrangidos.

Segundo a minuta do contrato, o acordo entre a Câmara do Porto e a Transportes Metropolitanos do Porto produz efeitos financeiros e operacionais em 1 de julho de 2026 ou na data do visto, ou declaração de conformidade, do Tribunal de Contas, se esta for posterior. Apesar disso, a entrada em funcionamento da gratuitidade está prevista para 1 de janeiro de 2027.

A dotação orçamental máxima prevista é de 10,25 milhões de euros em 2026, 18,7 milhões em 2027 e 1,8 milhões em 2028. O estudo de fundamentação do contrato aponta para um custo anual máximo aproximado de 20,5 milhões de euros, o equivalente a um encargo médio mensal de cerca de 1,71 milhões de euros.

Impacto esperado na mobilidade da Área Metropolitana

O município estima 59.381 utilizadores de transporte público, valor calculado a partir de uma quota modal de 23,5% da população residente estimada em 2025, de 252.687 pessoas, no âmbito do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável que ainda está em elaboração. O presidente da autarquia, Pedro Duarte, reconhece que a iniciativa teria maior eficácia se fosse adotada pelos vários municípios da Área Metropolitana do Porto e admite que a melhoria do serviço de transporte coletivo é necessária para sustentar a mudança.

Durante o debate, vários partidos apoiaram a proposta com reservas sobre capacidade, sustentabilidade financeira e métricas de execução. PSD, CDS-PP, BE, Livre e PS defenderam a medida como um primeiro passo para reforçar o uso do transporte público, enquanto o Chega criticou a falta de documentos que, no seu entendimento, comprovem a sustentabilidade, equidade e legalidade do programa.

Na nossa publicação anterior sobre o plano do Governo para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, explicámos que a estratégia deverá concentrar-se sobretudo nos transportes e na indústria, através de mais renováveis, eletrificação e armazenamento. Também destacámos o objetivo de ganhar autonomia energética e proteger a economia da volatilidade dos preços e dos riscos de abastecimento, num contexto de maior pressão geopolítica sobre os mercados.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.