Greve na saúde mantém adesão entre 70% e 75%, com cirurgias e consultas afetadas

Greve na saúde mantém adesão entre 70% e 75%, com cirurgias e consultas afetadas
Greve na saúde afeta hospitais

A greve nacional de dois dias dos trabalhadores da saúde regista uma adesão entre 70% e 75% e mantém pressão sobre a atividade hospitalar até ao fim desta terça-feira. A paralisação afeta sobretudo blocos operatórios, cirurgias programadas e consultas externas, enquanto os serviços mínimos permanecem assegurados.

Destaques

  • A greve na saúde, com adesão entre 70% e 75% até as 16:00, afeta principalmente cirurgias programadas, consultas externas e blocos operatórios.
  • As unidades mais atingidas concentram-se na ULS de Santa Maria, Amadora/Sintra, São João, Santo António, São Francisco Xavier e Egas Moniz.
  • O sindicato recebeu 30 queixas formais e centenas de relatos de ameaças disciplinares, enquanto reivindica melhorias salariais, progressão de carreira e nova carreira para técnicos auxiliares.

Adesão elevada e serviços mais pressionados

Como adiantou a Lusa, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos, Stts, indica que a greve começou na segunda-feira e termina esta terça-feira às 24:00, abrangendo médicos, enfermeiros, assistentes técnicos, auxiliares de saúde e assistentes operacionais.

Segundo o dirigente sindical Diogo Mina, por volta das 16:00 a taxa de adesão ronda os 70% e os 75%. Os serviços mais afetados são os blocos operatórios, as cirurgias programadas e as consultas externas.

De acordo com o sindicato, as unidades mais atingidas pela paralisação situam-se na ULS de Santa Maria, Amadora/Sintra, São João, Santo António e nos hospitais de São Francisco Xavier e Egas Moniz. Diogo Mina refere ainda que os enfermeiros e os técnicos auxiliares de saúde são os profissionais com maior participação, enquanto os médicos apresentam a adesão mais baixa.

Reivindicações salariais e queixas sobre ameaças

O Stts sustenta que a adesão não é mais elevada devido a alegadas ameaças de chefias contra trabalhadores que façam greve. Segundo Diogo Mina, o sindicato recebeu 30 queixas por escrito e centenas de telefonemas relacionados com processos disciplinares, faltas injustificadas e despedimentos.

O dirigente afirma também que várias chefias disseram aos profissionais que seriam elas a definir os serviços mínimos e o número de trabalhadores obrigados a comparecer. Apesar dessas denúncias, o sindicato diz que os serviços mínimos estão garantidos durante a paralisação.

Entre as principais reivindicações, o presidente do Stts, Mário Rui, destaca problemas no pagamento de horas extraordinárias, falta de progressão nas carreiras e ausência de atualização salarial, com situações pendentes desde 2023. O responsável acrescenta que os técnicos auxiliares de saúde exigem ainda uma nova carreira, que, segundo o sindicato, não é revista há muito tempo.

Na nossa publicação anterior sobre a greve na Nobre Alimentação em Rio Maior, acompanhámos a 29.ª paralisação dos trabalhadores e o impasse negocial que se arrasta desde 2023, centrado em aumentos salariais e outras melhorias nas condições de trabalho. Também referimos as acusações de alegada pressão para travar a adesão à greve e a possibilidade de o sindicato escalar o conflito para instâncias do grupo, após divergências sobre os números de participação e sem sinais de acordo.

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