Nobre enfrenta 29.ª greve em Rio Maior e sindicato quer escalar protestos ao grupo Sigma

Nobre enfrenta 29.ª greve em Rio Maior e sindicato quer escalar protestos ao grupo Sigma
Nobre: greve pode escalar

O conflito laboral na Nobre, em Rio Maior, prolonga-se desde 2023 e leva os trabalhadores a cumprir esta segunda-feira a 29.ª greve contra a recusa da administração em negociar o caderno reivindicativo. A contestação pode agora ganhar dimensão internacional, com o sindicato a admitir levar o caso à Sigma Alimentos, grupo mexicano que detém a empresa.

Destaques

  • Trabalhadores da Nobre Alimentação em Rio Maior realizaram a 29.ª greve com adesão estimada pelo sindicato em cerca de 80%, exigindo aumento salarial de 150 euros.
  • Sem acordo após baixar a proposta de aumento para 50 euros, o SINTAB ameaça escalar protestos até à Sigma Alimentos no México e ao comité europeu do grupo.
  • A empresa afirma adesão entre 10% e 15% e garante linhas produtivas operacionais, enquanto os trabalhadores decidiram aderir à greve geral de 3 de junho e nova paralisação em 5 de junho.

Greve prolongada e exigências laborais

Segundo a Lusa, o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos, Diogo Lopes, diz que os trabalhadores querem intensificar a luta e fazer chegar os protestos à Sigma Alimentos, no México, para tentar desbloquear um impasse negocial que se arrasta há mais de dois anos.

O sindicalista afirma que a adesão à paralisação ronda níveis semelhantes aos das ações anteriores, habitualmente perto de 80%, embora diga que tem sido difícil confirmar os números nas últimas greves porque a empresa impede a entrada do piquete de greve nas instalações, autorizando apenas o acesso à área social. A Nobre Alimentação apresenta uma leitura diferente e estima uma taxa de adesão entre 10% e 15%, assegurando que todas as linhas de produção permanecem operacionais e sem perturbações na atividade.

Os trabalhadores reivindicam um aumento salarial de 150 euros, valorização do subsídio de refeição e do trabalho noturno, implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária. Apesar de, nas reuniões de conciliação na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, terem aceitado baixar a proposta de aumento de 150 para 50 euros, não houve acordo.

Escalada do conflito e impacto nas relações laborais

O SINTAB volta também a acusar a empresa de pressionar os trabalhadores a não aderirem às greves, alegando que responsáveis da Nobre disseram na semana passada que as delegadas sindicais recebem o dia de greve, algo que o sindicato classifica como falso. Diogo Lopes lamenta o que descreve como uma tentativa de desmobilização através de informação enganosa.

Em resposta, a Nobre afirma que atua em total conformidade com os enquadramentos legais e laborais aplicáveis e considera infundadas as alegações do sindicato. A empresa enquadra estas paralisações num movimento mais amplo de reivindicações semelhantes em várias empresas e setores, associado a uma estratégia sindical coordenada a nível nacional, acrescentando que mantém como prioridade a estabilidade operacional e canais estruturados de diálogo.

Sem sinais de avanço nas negociações, o sindicato diz que os trabalhadores já decidiram aderir à greve geral de 3 de junho e avançar com uma nova paralisação em 5 de junho. O caso reforça a pressão sobre a gestão da unidade de Rio Maior e pode alargar o conflito ao plano europeu e à casa-mãe mexicana, se o tema for novamente levado ao comité europeu do grupo durante o verão, em Espanha.

Na nossa publicação anterior sobre a greve geral nacional marcada para 3 de junho, explicámos que a paralisação foi convocada para aumentar a pressão sobre o Governo nas negociações da reforma laboral e perante a perda de poder de compra. Também destacámos o potencial impacto em serviços e atividade económica, bem como a posição ainda em aberto da UGT, que adiou uma decisão para a reunião de Concertação Social.

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