O petróleo bruto dos EUA mantém-se abaixo dos US$ 100, com os riscos de queda ainda presentes
Nos últimos dias, o mercado de petróleo voltou a se inclinar fortemente para um prêmio geopolítico. O WTI testou a marca de US$ 100 por barril após o fracasso de mais uma rodada de negociações entre os EUA e o Irã e a manutenção das restrições no Estreito de Ormuz.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

No entanto, em meio a relatos de negociações em andamento entre os EUA e o Irã, os otimistas não conseguiram ultrapassar esse nível, mantendo intactos os riscos de queda para a faixa de US$ 95–92,5.
De acordo com a Reuters e a MarketWatch, o mercado está precificando o risco de interrupções prolongadas no abastecimento do Golfo Pérsico, que representava cerca de 20% do comércio global de petróleo antes da crise. Nesse contexto, o Brent permanece acima de US$ 100–105, enquanto a volatilidade intradiária está em seu nível mais alto desde a crise energética de 2022.
OPEP perdendo o controle do mercado
Um choque adicional veio da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP/OPEP+, que muitos analistas descrevem como o maior golpe para o cartel nos últimos anos. Abu Dhabi sinalizou efetivamente sua intenção de aumentar a produção fora das cotas da OPEP, aprofundando as divisões dentro do bloco entre a Arábia Saudita e vários países do Golfo.
Formalmente, isso deveria pressionar os preços por meio do aumento da oferta, mas, por enquanto, o efeito está sendo compensado pelos riscos militares e pela ameaça de interrupções no abastecimento na região.
Os fundamentos permanecem mistos
Apesar do atual impulso de alta, o quadro fundamental permanece incerto. A última perspectiva da EIA ainda aponta para um excedente de petróleo em 2026 devido ao aumento da produção fora da OPEP+, particularmente nos EUA, Brasil e Canadá. Ao mesmo tempo, a AIE reduziu drasticamente sua previsão de demanda global em meio ao choque energético e à desaceleração da economia global.
Analistas observam que o mercado está atualmente dividido entre duas forças: os temores de curto prazo de escassez de oferta e os riscos de médio prazo de queda na demanda global em caso de recessão.
Cenário principal para as próximas semanas
O principal fator impulsionador do petróleo continua sendo a situação em torno do Estreito de Ormuz. Enquanto o estreito operar em condições de instabilidade, o mercado manterá um alto prêmio geopolítico. Se o conflito entre os EUA e o Irã se intensificar ou ocorrerem novos ataques à infraestrutura na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos, o WTI poderá rapidamente testar a faixa de US$ 110–120.
No entanto, qualquer avanço nas negociações poderia desencadear uma queda igualmente acentuada — o mercado já registrou quedas de 6 a 8% em um único dia com notícias de distensão.
Neste momento, o petróleo está efetivamente sendo negociado como um ativo geopolítico, em que as notícias do Oriente Médio têm um impacto mais forte sobre os preços do que os dados de estoque ou demanda, como observei anteriormente no artigo “O petróleo bruto dos EUA continua sendo um mercado geopolítico”.
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