Portugal agrava custo de financiamento a um ano em leilão de bilhetes do Tesouro
A pressão inflacionista associada à guerra no Médio Oriente está a traduzir-se em juros mais elevados nos mercados de dívida e penaliza o custo de financiamento de Portugal. No leilão desta quarta-feira, o país coloca mais dívida a um ano acima do montante indicativo, apesar de a procura dos investidores também aumentar.
Destaques
- Portugal emite 1.537 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a um ano, superando o montante indicativo máximo de 1.500 milhões de euros.
- O juro exigido pelos investidores sobe para 2,613%, face aos 2,307% de março, refletindo custos de financiamento superiores.
- A procura atinge 2,08 vezes a oferta, acima das 1,57 vezes de março, demonstrando robustez apesar da elevação das taxas e riscos globais de inflação.
Leilão supera montante indicativo
Como noticiou o Jornal de Negócios, Portugal paga mais para se financiar a um ano no mais recente leilão de bilhetes do Tesouro, realizado esta quarta-feira, num contexto de maior tensão nos mercados globais de dívida.A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, IGCP, emite 1.537 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com vencimento em maio de 2027, acima do intervalo indicativo que ia até 1.500 milhões de euros. O juro exigido pelos investidores fixa-se em 2,613%, acima dos 2,307% registados em março, quando Portugal se financia pela última vez neste prazo.
Procura sobe apesar da pressão nos juros
No leilão comparável de março, o IGCP emite 1.420 milhões de euros e a procura fica 1,57 vezes acima da oferta. Na operação desta quarta-feira, o apetite dos investidores sobe para 2,08 vezes a oferta, sinalizando que a procura permanece robusta mesmo com um custo de financiamento mais elevado.O resultado reflete um sentimento mais cauteloso dos investidores perante os riscos de inflação associados ao conflito no Médio Oriente. Esse enquadramento está a elevar as taxas exigidas nos mercados de dívida globais e aumenta a fatura do financiamento soberano português no curto prazo.
Na nossa publicação anterior, analisámos a escalada do preço do petróleo para níveis acima dos 100 dólares por barril, impulsionada pelas tensões no Médio Oriente e pelo risco de disrupções no Estreito de Ormuz. O texto explicou como a queda das reservas globais e as decisões de oferta podem prolongar a pressão nos preços da energia, com efeitos na inflação e na atividade económica em Portugal.
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