Banco BPI revê em alta preços da habitação em Portugal e prevê abrandamento do mercado residencial
O mercado residencial em Portugal entra em 2026 com sinais contraditórios, combinando preços ainda muito pressionados com expectativas mais fracas entre agentes do setor. O Banco BPI elevou para 11,7% a sua previsão para o Índice de Preços da Habitação em 2026, mas alerta para um abrandamento sustentado pelo afastamento entre preços e salários, pela subida dos juros e por uma oferta nova em aceleração.
Destaques
- Os preços de venda das casas em Portugal subiram 17,6% em 2025 e o Banco BPI reviu em alta a previsão do IPH para 2026.
- A concessão de crédito à habitação atingiu €5,7 mil milhões no primeiro trimestre de 2026, máximo histórico e 20,1% acima do pico pré-crise de 2006.
- As expectativas dos promotores e mediadores indicam travagem do mercado residencial em 2026, enquanto taxas Euribor e juros do BCE apresentam tendência ascendente.
Previsões do BPI para preços e crédito
Conforme divulgado pelo Banco BPI na sua publicação mensal sobre o setor imobiliário residencial, a revisão em alta da previsão para o IPH em 2026 resulta da forte valorização observada em 2025, ano em que os preços de venda das casas em Portugal subiram 17,6%, segundo dados do INE. A análise do departamento de Estudos Económicos e Financeiros do banco indica, ainda assim, que o setor deverá perder dinamismo devido ao crescente afastamento entre preços e rendimentos, ao abrandamento sentido no arranque do ano e à deterioração das expectativas de mediadores e promotores.O estudo assinala que a valorização excecional das casas nos últimos anos supera o crescimento dos rendimentos das famílias, agravando o rácio de acessibilidade e aumentando o número de anos necessários para comprar uma habitação standard. Apesar de a avaliação bancária da habitação continuar a subir e ter atingido 2.151 euros por metro quadrado em março, surgem sinais de moderação, com a avaliação mediana a crescer 16,5% em termos homólogos, abaixo da média mensal de 17,4% registada em 2025.
A concessão de crédito à habitação mantém, porém, um ritmo forte. No primeiro trimestre de 2026, as novas operações somaram 5,7 mil milhões de euros, o volume mais elevado desde o início da série histórica, com uma subida homóloga de 11,3% e um valor 20,1% acima do máximo pré-crise financeira de 2006, enquanto março registou um avanço anual de 9,7%.
Juros, economia e oferta pressionam o setor
As expectativas de vendas e preços a três meses recolhidas pela Confidencial Imobiliário recuaram no início de 2026, com um pessimismo mais acentuado entre promotores do que entre mediadores. Segundo o Banco BPI, este indicador atingiu o saldo mais baixo desde junho de 2025, reforçando a perspetiva de travagem do mercado residencial.No enquadramento macroeconómico, o banco destaca a estagnação da economia portuguesa no primeiro trimestre do ano, com evolução nula em cadeia, associada às tempestades e à guerra no Médio Oriente. Em paralelo, sublinha a pressão ascendente sobre as taxas Euribor, com a taxa a seis meses a atingir 2,45%, o nível mais alto desde fevereiro do ano passado, e admite novas subidas da taxa de juro do BCE para 2,25% em junho e 2,5% em setembro.
Do lado da oferta, a leitura é mais favorável. O Banco BPI considera positivas as perspetivas para nova habitação, apoiadas por um ritmo de construção ligeiramente acima do dos últimos anos e pelo efeito esperado do PRR, num contexto em que o número de edifícios habitacionais aumentou 5,5% para 26.714 em 2025, o valor mais elevado desde 2010.
Numa análise anterior sobre a política monetária do BCE, destacámos os alertas de Yannis Stournaras para que o banco central evite um aperto excessivamente restritivo no combate à inflação. O responsável sublinhou que choques de preços temporários exigem uma resposta equilibrada, já que juros demasiado altos podem pressionar o investimento, as condições de financiamento e a atividade económica na zona euro.
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