CPLP traça meta para primeiros geoparques UNESCO em África e Ásia até 2036
A CPLP quer criar os primeiros Geoparques Mundiais da UNESCO nos seus Estados-membros africanos e asiáticos até 2036, numa iniciativa multilateral lançada em Arouca, em Portugal. O compromisso procura alargar receitas do turismo, reforçar a cooperação científica e apoiar candidaturas em territórios de baixa densidade nos países lusófonos.
Destaques
- O primeiro Fórum CPLP Geoparques UNESCO estabeleceu meta até 2036 para primeira classificação de geoparques em África e Ásia, com forte apoio técnico e científico.
- A classificação UNESCO prevê impulsionar o turismo, gerar emprego e dinamizar economias regionais, com Portugal e Brasil como parceiros destacados no processo.
- Os principais entraves incluem falta de inventários geológicos, limitações de financiamento e carência de quadros técnicos, justificando o prazo prolongado até 2036.
Compromisso define cooperação técnica até 2036
Segundo a Lusa, o compromisso foi formalizado no primeiro Fórum CPLP Geoparques UNESCO, realizado em Arouca, com a participação de cerca de 120 representantes de vários países. O objetivo central passa por criar condições para que surjam as primeiras classificações UNESCO em membros africanos e asiáticos da comunidade, através de mentoria técnica, apoio científico e partilha de experiência entre territórios já reconhecidos.Entre as medidas previstas estão o reforço da cooperação entre estruturas de gestão de geoparques, o envolvimento de universidades e comunidades locais e a criação de plataformas para difundir boas práticas. Portugal e Brasil partem com vantagem neste processo por já terem territórios classificados, enquanto Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste apresentaram no fórum ativos geológicos com potencial para futuras candidaturas.
Margarida Belém, presidente da Associação Geoparque Arouca e autarca do município, afirmou que a ambição coletiva de criar novos geoparques em países africanos da CPLP e em Timor-Leste representa um reforço da rede de cooperação. Os participantes também salientam que muitas destas regiões continuam pouco representadas na rede global da UNESCO, apesar do seu património geológico e da coexistência com biodiversidade e valor cultural.
Impacto esperado no turismo e no desenvolvimento regional
Os promotores da iniciativa defendem que a classificação de geoparques pode diversificar a atividade turística, criar emprego e estimular projetos de conservação, educação e investigação. Em territórios de baixa densidade, este modelo é visto como uma via para atrair visitantes ao longo de todo o ano e para gerar rendimento em alojamento, guias, serviços locais e valorização patrimonial.O caso de Arouca é apresentado como exemplo do efeito económico possível, com desenvolvimento de infraestruturas e maior promoção do património geológico. Para Portugal, a iniciativa também reforça a sua posição dentro da CPLP como fornecedor de conhecimento técnico e parceiro institucional em futuros processos de candidatura.
Apesar da ambição, persistem obstáculos relevantes, como a falta de inventários geológicos completos em vários países, limitações de financiamento público, carências de infraestruturas e escassez de quadros técnicos especializados. O prazo até 2036 reflete essa realidade e cria uma janela mais longa para mapear territórios prioritários, preparar planos de gestão e reunir as condições exigidas pela UNESCO.
Na nossa publicação anterior, analisámos a fase final de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com 12,651 mil milhões de euros já pagos e o prazo de agosto de 2026 a aumentar a pressão sobre projetos e beneficiários. Também destacámos o reforço do financiamento do Estado, com uma emissão de 3 mil milhões de euros a 20 anos, e a necessidade de reajustes no PRR para evitar perdas de fundos perante obstáculos de licenciamento, mão de obra e capacidade de execução.
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