Portugal apela a mobilização para elevar produtividade da economia

Portugal apela a mobilização para elevar produtividade da economia
Mobilização pela produtividade

Num momento em que a produtividade portuguesa volta ao centro do debate económico, Pedro Passos Coelho defende uma mobilização alargada de sindicatos, empresas, trabalhadores e Estado para reforçar a competitividade do país. O antigo primeiro-ministro liga esse esforço aos desafios da transição tecnológica e ao risco de perdas de emprego, defendendo uma mudança de atitude nas organizações e na governação.

Destaques

  • Pedro Passos Coelho cita relatório da Comissão Europeia ao alertar, na Feira do Livro de Lisboa, para o crónico problema de produtividade em Portugal.
  • Ex-primeiro-ministro defende reconversão laboral e colaboração entre sindicatos, empregadores, empresas e Estado para mitigar perdas de emprego causadas por avanços tecnológicos.
  • Passos Coelho apela à mudança de atitudes de decisores, gestores e líderes, enfatizando tanto fatores materiais quanto éticos para elevar a competitividade da economia portuguesa.

Apelo à produtividade e reconversão laboral

Conforme noticiou o Jornal de Negócios, Pedro Passos Coelho afirmou esta quarta-feira, na Feira do Livro de Lisboa, que Portugal enfrenta desafios estruturais que exigem uma resposta coletiva para tornar a economia mais produtiva. O antigo líder do PSD associa essa necessidade ao relatório da Comissão Europeia conhecido no mesmo dia, que identifica um problema crónico de produtividade da economia portuguesa face a outros países europeus.

Na apresentação do livro "O que fazer e não fazer para ter sucesso", de Ricardo Costa, Passos Coelho manifesta preocupação com a dimensão das perdas de emprego que os avanços tecnológicos podem provocar no futuro. Na sua perspetiva, cabe aos decisores ajudar a reconverter trabalhadores, incluir pessoas num novo paradigma económico e apoiar a adaptação ao mercado de trabalho.

O ex-primeiro-ministro sustenta que os desafios ultrapassam as matérias laborais mais diretas, como a lei laboral ou a reforma laboral. Defende, por isso, que sindicatos, empregadores, empresas e Estado devem colocar soluções em cima da mesa para acelerar a transição e criar melhores perspetivas para os mais jovens em Portugal.

Contexto político e mensagem às organizações

Passos Coelho evita comentar declarações de Hugo Soares sobre eventuais divergências internas no PSD e recusa responder aos jornalistas à margem do evento. A intervenção mantém-se centrada na economia e na necessidade de mudar atitudes, incluindo entre responsáveis governativos, gestores e líderes de organizações.

Segundo o antigo presidente do PSD, o livro de Ricardo Costa não trata apenas de sucesso em termos materiais, mas também da dimensão ética e moral das decisões de gestão. Nessa linha, sublinha a importância das escolhas sucessivas de cada pessoa e defende que profissionais, líderes, gestores e trabalhadores podem melhorar o seu contributo para uma economia mais competitiva.

Na nossa publicação anterior sobre a contestação à reforma laboral Trabalho XXI, acompanhámos a greve geral e o agravamento da pressão política sobre o pacote com mais de 100 alterações ao Código do Trabalho. O texto destacou a incerteza na aprovação parlamentar — num cenário de governo sem maioria absoluta — e como a mobilização sindical e os incidentes junto à Assembleia da República elevaram o custo político da medida.

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