Portugal reforça visto gold com capital de risco e alonga prazo para cidadania
O enquadramento do visto gold em Portugal muda de forma estrutural após o fim da via imobiliária em outubro de 2023 e a revisão das regras de nacionalidade em maio de 2026. Para investidores canadianos, o programa passa a exigir maior compromisso económico direto, ao mesmo tempo que mantém uma exigência reduzida de permanência física anual.
Destaques
- Portugal elimina investimento imobiliário do visto gold, exigindo agora €500 mil em fundos de capital de risco ou €250 mil em património cultural.
- O prazo para elegibilidade à cidadania portuguesa para não europeus, incluindo canadianos, dobra de cinco para 10 anos a partir de 2026.
- Em 2025, Portugal recebeu 196 projetos de investimento estrangeiro, com capital de risco dominando e pelo menos 60% alocado a empresas nacionais.
Novas regras redefinem o acesso
Conforme noticiado pelo ThePortugalPost, o programa português deixou de aceitar investimento imobiliário e concentra agora as principais vias de acesso em subscrições de capital de risco de 500 mil euros, apoio ao património cultural a partir de 250 mil euros, criação de pelo menos 10 postos de trabalho e outras modalidades ligadas a atividade produtiva.A alteração da lei da nacionalidade aprovada em maio de 2026 também muda o horizonte para cidadãos não pertencentes à União Europeia, incluindo canadianos. O prazo para elegibilidade para cidadania passa de cinco para 10 anos, contados a partir da emissão do primeiro cartão de residência, o que faz com que atrasos administrativos aumentem na prática o tempo total de espera.
Apesar disso, a obrigação de presença física mantém-se reduzida, com sete dias por ano para preservar o estatuto de residência. Esse desenho permite que investidores mantenham a sua base fiscal e operacional fora de Portugal, enquanto conservam acesso à residência e mobilidade no espaço Schengen.
Impacto no capital canadiano e no posicionamento de Portugal
Com o fecho da via imobiliária, os fundos de capital de risco passam a dominar o interesse dos investidores, num modelo em que pelo menos 60% do montante aplicado deve ser dirigido a empresas sediadas em Portugal. Na prática, isto redireciona capital estrangeiro para inovação, serviços tecnológicos, energia, indústria associada e outras áreas da economia produtiva.O texto refere que Portugal recebeu 196 projetos de investimento direto estrangeiro em 2025, segundo o EY Attractiveness Survey, e que software, serviços de TI e outsourcing empresarial lideram a distribuição setorial. Entre os exemplos citados estão a expansão da canadiana Mercan no setor hoteleiro e aquisições da Slate Capital no retalho alimentar, num sinal de que o capital canadiano vê o mercado português como base operacional e não apenas como porta de entrada migratória.
No contexto europeu, Portugal perde vantagem para quem privilegia cidadania mais rápida, já que Grécia, Chipre e Malta oferecem prazos mais curtos ou alternativas de residência permanente mais imediatas. Ainda assim, o regime português continua competitivo para investidores que valorizam estabilidade regulatória, baixa exigência de permanência anual e proximidade a um ecossistema empresarial europeu em crescimento.
Na nossa publicação anterior sobre a paralisação nos serviços de registo, explicámos como uma greve de seis dias no IRN agravaria atrasos já elevados em processos ligados a imóveis, veículos e pedidos de nacionalidade. O texto detalhou o déficit de pessoal, os prazos de espera que podem chegar a anos e as medidas previstas pelo Governo para reforço de quadros e atualização salarial, num contexto de tensão sindical e pressão sobre cidadãos e empresas.
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