Portugal regista recuperação dos nascimentos com peso crescente das mães estrangeiras

Portugal regista recuperação dos nascimentos com peso crescente das mães estrangeiras
Nascimentos sobem com estrangeiras

Portugal registou 87.130 nascimentos em 2025, o valor anual mais elevado da última década e uma subida de 3,7% face a 2024. O aumento é impulsionado sobretudo pelas mães nascidas no estrangeiro, que já representam 28,8% do total, reforçando a pressão sobre escolas, saúde materno-infantil e políticas de integração.

Destaques

  • O número de nados-vivos em Portugal aumentou para 87.130 em 2025, o melhor valor em dez anos e mais 3.071 que no período anterior.
  • Mães estrangeiras representam 10,5% dos nascimentos em 2025, com destaque para brasileiras, e regiões como Grande Lisboa e Algarve registam quase metade dos nascimentos de mães não portuguesas.
  • Apesar de atenuar o declínio demográfico, a recuperação dos nascimentos continua limitada por 34.053 mortes excedendo nascimentos e por pressões administrativas face a mais de 400.000 pedidos de residência pendentes.

Dados demográficos e concentração regional

Como noticiou o The Portugal Post, com base em dados confirmados pelo Instituto Nacional de Estatística, o total de nados-vivos sobe em 3.071 entre 2024 e 2025 e interrompe a trajetória anterior de contração. O INE indica que 87.130 bebés nasceram em 2025, naquele que é o melhor registo anual em dez anos.

O peso das mães de nacionalidade estrangeira continua a aumentar e mais do que duplica ao longo da última década. Em 2025, as brasileiras representam 10,5% de todos os nascimentos em Portugal, seguidas por mães de Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão.

A distribuição territorial mantém-se desigual. Na Grande Lisboa, 47,8% dos nascimentos são de mães estrangeiras e no Algarve a proporção atinge 46,6%, enquanto municípios como Aljezur e Odemira ultrapassam claramente a maioria.

Albufeira, Entroncamento, Barreiro, Amadora e Odivelas também registam quotas muito elevadas. A Grande Lisboa é ainda a única região NUTS II com saldo natural positivo pelo terceiro ano consecutivo, apoiada sobretudo pela fecundidade das famílias imigrantes face ao envelhecimento da população nascida em Portugal.

Pressão sobre serviços e resposta política

Os dados reforçam um ponto de viragem geracional num país em que as mulheres portuguesas adiam a maternidade e quase um terço dos nascimentos ocorre já entre mulheres com 35 ou mais anos. Ao mesmo tempo, os nascimentos associados à imigração ajudam a atenuar o desequilíbrio demográfico, embora não invertam a tendência estrutural, já que as mortes continuam a superar os nascimentos em 34.053 em 2025.

O efeito faz-se sentir nas matrículas escolares, nos cuidados pediátricos e nos orçamentos municipais. Hospitais da Grande Lisboa e do Algarve estão a expandir capacidade obstétrica, enquanto várias autarquias enfrentam pressão para aumentar vagas em creches públicas, num contexto em que a cobertura continua abaixo de 30%.

Em junho de 2024, o Governo aprovou um Plano de Ação para as Migrações com 41 medidas para regularizar entradas e reforçar a integração. O pacote elimina a via da Manifestação de Interesse, exige vistos com finalidade específica antes da entrada e inclui canais rápidos para trabalhadores qualificados, reforço do ensino de português e equipas de inspeção contra exploração laboral e tráfico humano.

Apesar disso, permanecem mais de 400.000 pedidos de residência pendentes na AIMA, o que mantém a pressão administrativa elevada. Para empresas e investidores, a tendência aponta para uma futura base laboral mais jovem e diversa, mas os constrangimentos em habitação, aprendizagem da língua e qualidade do emprego continuam a limitar o potencial económico desta recuperação demográfica.

A subida das yields da dívida soberana portuguesa foi analisada na nossa publicação anterior, destacando o aumento dos custos de financiamento na Zona Euro e o impacto direto nas prestações do crédito à habitação de taxa variável indexado à Euribor. Também explicámos que esta reavaliação de risco é influenciada por expectativas de política monetária e inflação, criando um enquadramento de condições financeiras mais apertadas que se repercute na economia portuguesa.

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