Portugal avança com reforma do IVA nos combustíveis para travar fraude fiscal
O governo português aprova uma revisão alargada da cobrança do IVA nas vendas de combustíveis para fechar falhas que, segundo o texto, permitem fraudes com impacto anual estimado em 200 milhões de euros. A medida segue agora para o parlamento e insere-se numa estratégia mais ampla de proteção da receita pública, da concorrência no retalho e da estabilidade dos preços nas bombas.
Destaques
- O Conselho de Ministros aprova reforma do IVA nos combustíveis para travar fraude fiscal avaliada em mais de 200 milhões de euros anuais desde março de 2024.
- Nova legislação exigirá garantias financeiras ou depósitos na saída de combustível do entreposto fiscal, visando reduzir desaparecimento de operadores e postos com preços anormalmente baixos.
- Paralelamente, decreto aprovado facilita acesso de PME ao mercado de capitais com redução de exigências de divulgação e simplificação de requisitos de prospeto, seguindo diretivas da União Europeia.
Reforma do IVA mira cadeias de fraude no abastecimento
Conforme noticiado pelo ThePortugalPost, o Conselho de Ministros deu luz verde a uma alteração profunda das regras de IVA aplicadas aos combustíveis, bem como do Sistema Petrolífero Nacional, para travar esquemas em que empresas de fachada importam gasóleo ou gasolina, cobram o imposto e desaparecem antes da cobrança pela Autoridade Tributária e Aduaneira.O mecanismo descrito no texto passa por operadores que registam sociedades em Portugal, trazem combustível, muitas vezes de Espanha, vendem abaixo do preço de mercado ao reterem o IVA de 23% cobrado ao consumidor e encerram atividade antes de liquidarem o montante devido ao Estado. A associação do setor APETRO já situava estas perdas acima de 200 milhões de euros por ano em março de 2024.
Os ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Presidência, António Leitão Amaro, sublinham que a reforma não aumenta as taxas nominais de imposto, nem do IVA nem do ISP. Em vez disso, o executivo estuda soluções semelhantes às adotadas em Itália e em Espanha, com garantias ou depósitos exigidos no momento em que o combustível sai do entreposto fiscal, reduzindo margem para desaparecimento de operadores sem capital.
Impacto esperado no mercado e pacote paralelo para PME
Para os condutores, o principal efeito poderá ser o desaparecimento gradual de postos com preços anormalmente baixos, sobretudo junto à fronteira com Espanha e em grandes zonas logísticas. O texto indica que muitos destes pontos de venda têm pressionado os operadores legítimos, que suportam custos com incorporação de biocombustíveis, reservas estratégicas e investimento em infraestruturas, comprimindo as suas margens.A expectativa do governo é que, com regras mais apertadas, os preços se aproximem mais dos níveis normais de mercado e que a concorrência se torne mais equilibrada. Além da via legislativa, a ENSE e a GNR reforçam ações de interceção de transportes ilegais de combustível, sinalizando um controlo mais amplo sobre a cadeia de abastecimento.
Em paralelo, o Conselho de Ministros aprova também um decreto para transpor diretivas da União Europeia destinadas a facilitar o acesso das pequenas e médias empresas ao mercado de capitais. As novas regras reduzem exigências de divulgação e simplificam requisitos de prospeto para operações abaixo de certos limiares, ao mesmo tempo que apertam o enquadramento das recomendações de investimento para reforçar a segurança jurídica e a proteção dos investidores.
Ambos os diplomas seguem agora para a Assembleia da República, onde serão avaliados em comissão e sujeitos a discussão com representantes dos setores envolvidos. O calendário dessa tramitação ainda não é anunciado, e o texto final poderá incorporar novas obrigações de reporte e mecanismos adicionais de supervisão.
Na nossa publicação, acompanhámos a evolução dos preços dos combustíveis em Portugal no início da semana, com previsão de descida do gasóleo e ligeira subida da gasolina, num mercado ainda exposto à volatilidade internacional. Nesse contexto, o texto destacava também o avanço da proposta do Governo para reformular a cobrança do IVA nos combustíveis, visando travar esquemas com empresas-fantasma que retêm o imposto e distorcem a concorrência.
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