Portugal mantém plano de reduzir IRS e admite nova descida em função da economia
O Governo mantém a meta de continuar a baixar o IRS, mas deixa a decisão sobre uma nova descida em 2027 dependente da evolução da economia e das contas públicas nos próximos meses. A sinalização surge num momento em que o executivo também aponta a novas reduções fiscais até ao fim da legislatura, incluindo no IRC e, mais à frente, na derrama estadual.
Destaques
- O ministro Joaquim Miranda Sarmento confirmou a intenção de reduzir o IRS em mais 2.000 milhões durante a legislatura, podendo a meta ser superada conforme a evolução económica.
- O parlamento já aprovou reduções graduais no IRC até 2028, fixando a taxa geral em 17%, porém o valor efetivo pode chegar a 28,5% devido às derramas.
- O Governo condiciona novas descidas no IRS à trajetória da economia e saldos orçamentais, com avaliação prevista para os próximos meses.
Plano fiscal liga alívio no IRS à evolução orçamental
Como noticiou o Jornal de Negócios, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, reafirmou em Lisboa o compromisso do executivo de continuar a reduzir o IRS, embora tenha indicado que uma decisão sobre 2027 só será tomada depois de avaliada a evolução da economia e do saldo das contas públicas.À saída da conferência "Grande Conferência anual Diário de Notícias", na Fundação Champalimaud, o governante disse que o Governo mantém esse compromisso e que a avaliação será feita nos próximos meses. O ministro voltou a defender o desagravamento, sublinhando que as taxas marginais aplicadas a rendimentos coletáveis a partir de 40.000 euros anuais continuam elevadas, sobretudo em comparação com concorrentes diretos de Portugal e com países da coesão.
Durante a intervenção, Miranda Sarmento recordou que o executivo já reduziu impostos em cerca de 3.000 milhões de euros, dos quais perto de 2.000 milhões concentrados no IRS, além de uma descida relevante no IRC. O Programa do Governo prevê uma redução adicional do IRS em 2.000 milhões ao longo da legislatura, meta que o ministro já admitiu poder ser ultrapassada.
Empresas e competitividade no foco das próximas reduções
No IRC, o ministro lembrou que o parlamento já aprovou novas reduções até 2028, o que deverá levar a taxa geral do imposto sobre os lucros das empresas para 17% nesse ano. Ainda assim, defendeu que a carga fiscal total sobre as maiores empresas permanece elevada quando se somam as derramas.Miranda Sarmento indicou por isso que, a partir de 2028, o Governo quer olhar para a derrama estadual, aplicada à parcela de lucros acima de 1,5 milhões de euros. Segundo o ministro, mesmo com a taxa geral do IRC em 17%, o valor efetivo poderá atingir 28,5% com essas sobretaxas, nível que classificou como relativamente elevado.
A orientação fiscal apresentada reforça a estratégia do executivo de usar a política tributária como instrumento de competitividade económica e de atração de investimento. Ao mesmo tempo, deixa claro que o ritmo de novas descidas no IRS continuará condicionado pela trajetória da atividade económica e das finanças públicas.
Na nossa publicação, detalhámos as novas projeções do Banco de Portugal para défice e dívida até 2028, apontando para contas públicas próximas do equilíbrio, mas com ligeira deterioração do saldo e maior pressão com juros. O enquadramento sublinhou que a trajetória orçamental depende do saldo primário estrutural, do ritmo da atividade económica e do custo de financiamento, fatores decisivos para avaliar a margem para medidas como reduções adicionais de impostos.
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