Banco de Portugal revê défice em baixa e mantém contas públicas perto do equilíbrio
As finanças públicas portuguesas mantêm-se próximas do equilíbrio no horizonte de projeção do Banco de Portugal, apesar de uma ligeira deterioração esperada nos próximos anos. Para 2026, o supervisor passou a apontar para um défice de 0,2% do PIB, melhorando também as estimativas para 2027 e 2028 face às previsões de dezembro.
Destaques
- Banco de Portugal reviu o défice para 0,2% do PIB em 2026 e agravamento para 0,5% nos anos seguintes, superando projeções anteriores.
- O supervisor projeta queda contínua da dívida pública até 2028, porém com ritmo de descida mais moderado comparado aos últimos anos.
- A deterioração do saldo deve-se à redução do saldo primário estrutural em 0,9 pontos percentuais e ao aumento do custo de juros, que passa de 2,2% em 2025 para 2,6% em 2028.
Novas projeções para défice e dívida
Como noticiou o Jornal de Negócios, a atualização foi divulgada esta segunda-feira, 15 de junho, no boletim económico do Banco de Portugal. O supervisor estima agora um défice de 0,2% do produto interno bruto em 2026, seguido de um agravamento para 0,5% do PIB nos dois anos seguintes, mantendo ainda assim o saldo orçamental próximo do equilíbrio.Face às projeções de dezembro, a revisão é menos negativa em todo o período. Nessa altura, o Banco de Portugal previa um défice de 0,4% em 2026, de 0,9% em 2027 e de 1% em 2028.
A dívida pública deverá continuar a seguir uma trajetória de descida, embora a um ritmo mais moderado do que o observado nos últimos anos. O enquadramento apresentado pelo supervisor sugere, assim, uma melhoria relativa das contas públicas, mesmo com perda gradual de fôlego orçamental até ao final do horizonte de projeção.
Pressões sobre o saldo orçamental
O Banco de Portugal explica que a deterioração do saldo ao longo do horizonte de projeção decorre sobretudo da redução do saldo primário estrutural, estimada em 0,9 pontos percentuais do PIB potencial. Para esta evolução contribuem também o abrandamento da atividade económica, refletido na diminuição da componente cíclica do saldo, em 0,3 pontos percentuais do PIB potencial, e um ligeiro aumento das despesas com juros em percentagem do PIB, de 0,1 pontos percentuais.Segundo o supervisor, esta pressão adicional com juros resulta da subida da taxa de juro implícita da dívida pública, de 2,2% em 2025 para 2,6% em 2028. No mesmo horizonte de projeção, até 2028, as medidas temporárias têm um valor considerado pouco expressivo, o que indica impacto limitado desse fator na evolução global das contas públicas.
Na nossa publicação, analisámos a ativação por Portugal da cláusula de salvaguarda orçamental da UE para acomodar despesa energética adicional sem violar as regras de Bruxelas. Explicámos os limites anuais (até 0,3% do PIB) e os alertas sobre riscos para a consolidação, num contexto de dívida ainda elevada e de possível pressão adicional nos custos de financiamento. Esse enquadramento ajuda a interpretar as projeções atuais do Banco de Portugal para défice, dívida e despesa com juros até 2028.
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