Banco de Portugal doa ganho de 3.361 euros após venda forçada de ações do governador

Banco de Portugal doa ganho de 3.361 euros após venda forçada de ações do governador
Banco doa lucro de ações

A audição parlamentar sobre as compras de ações feitas por Álvaro Santos Pereira enquanto já liderava o Banco de Portugal centra-se no destino das mais-valias obtidas com a venda posterior dos títulos. O governador diz que o lucro de 3.361 euros resultante da alienação forçada foi doado à Make-a-Wish, num caso que surgiu após notícias sobre o reforço do seu portefólio já em funções.

Destaques

  • Álvaro Santos Pereira doou à Make-a-Wish um ganho de 3.361 euros obtido na venda forçada de ações após erro de interpretação sobre incompatibilidades.
  • Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o governador do Banco de Portugal adquiriu ações da Jerónimo Martins, Galp Energia, Nestlé e Navigator.
  • O Banco Central Europeu ordenou a venda dessas posições, mantendo pressão sobre o Banco de Portugal por questões de conduta e incompatibilidades.

Audição parlamentar e origem da polémica

Como noticiou o Jornal de Negócios, citando o Público, a controvérsia surgiu no final de abril, quando foi revelado que Álvaro Santos Pereira reforçou a carteira de ações depois de ter tomado posse como governador do Banco de Portugal.

Na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, o responsável afirma que houve "um erro de interpretação" que corrigiu de imediato. Ouvido pelos deputados para explicar o caso, Santos Pereira diz ainda que as mais-valias de 3.361 euros foram entregues à Make-a-Wish, confirmando declarações já feitas no final de maio ao Negócios e à Antena 1.

Compras de títulos e implicações institucionais

Líder do Banco de Portugal desde 6 de outubro de 2025, Santos Pereira comprou ações da Jerónimo Martins, da Galp Energia, da Nestlé e da Navigator entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

O Banco Central Europeu obrigou entretanto o governador a desfazer-se dessas posições. O caso mantém pressão sobre a atuação do banco central em matéria de incompatibilidades e conduta, numa altura em que a audição parlamentar ainda decorre e a notícia continua em atualização.

Na nossa publicação anterior sobre a auditoria às compras informáticas do Banco de Portugal, explicámos que a instituição decidiu rever aquisições e contratos de tecnologia realizados ao longo dos últimos 11 anos, abrangendo mais de mil processos. O objetivo é apurar eventuais irregularidades e clarificar procedimentos internos, num contexto de maior escrutínio sobre regras de contratação e controlo institucional.

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