Banco de Portugal revê sede em Entrecampos e reduz custo do projeto
O Banco de Portugal decidiu trocar o plano de compra de duas torres em Entrecampos pela aquisição de um único edifício maior, numa alteração que aponta para uma poupança estimada entre 35 e 40 milhões de euros. A mudança mantém aceso o debate sobre transparência, depois de o atual e o ex-governador divergirem publicamente sobre o real benefício financeiro da operação.
Destaques
- Banco de Portugal vai comprar a torre A1 à Fidelidade por 165 milhões de euros, abandonando a aquisição das torres A2 e A3 por 192 milhões de euros.
- O banco já avançou 58 milhões de euros em sinal e financiará parte da operação vendendo imóveis em Alto dos Moinhos e Almirante Reis.
- A conclusão das obras na Entrecampos está prevista para o fim de 2027, com impacto final dependente do custo das adaptações e do resultado das vendas imobiliárias.
Novo modelo para a sede em Lisboa
Como noticiou o The Portugal Post, o Banco de Portugal vai adquirir a torre A1 à Fidelidade por 165 milhões de euros, substituindo o acordo assinado em maio de 2025 para a compra das torres A2 e A3 por 192 milhões de euros.Álvaro Santos Pereira apresentou a revisão da estratégia numa audição parlamentar em julho de 2026, defendendo que o novo edifício responde melhor ao modelo de trabalho pós-pandemia, com mais espaços abertos, teletrabalho flexível e menor concentração de postos em Lisboa, à medida que a instituição reforça polos regionais. O governador disse que a alteração ao contrato de promessa de compra e venda deverá ser assinada "nos próximos meses".
Segundo o banco central, a nova solução também permite maior controlo operacional e de segurança, porque a torre A1 ficará totalmente sob gestão da instituição. Ao contrário do modelo anterior, não haverá ocupação de espaços no piso térreo por inquilinos comerciais sem ligação ao Banco de Portugal. O projeto inclui ainda um auditório com 400 lugares aberto a eventos públicos.
Impacto financeiro e controvérsia política
Mário Centeno contestou a nova abordagem no mesmo dia, também no parlamento, argumentando que os dois edifícios contratados em 2025 já terão valorizado perto de 10 milhões de euros com base no preço por metro quadrado implícito na operação da A1. O ex-governador questionou ainda se a área da nova torre será suficiente para receber todos os trabalhadores previstos no plano inicial e criticou a divulgação pública de intervalos de custos de adaptação interior, por considerar que isso fragiliza a posição negocial do banco perante empreiteiros.A poupança anunciada pelo Banco de Portugal depende, porém, do custo final das obras interiores, que ainda não está fechado. O banco já transferiu um sinal de 58 milhões de euros em abril e prevê financiar parte relevante da operação com a venda dos imóveis de Alto dos Moinhos e Almirante Reis, reduzindo o desembolso líquido se conseguir bons preços no mercado lisboeta.
Para o público, os serviços na Rua do Comércio mantêm-se inalterados, incluindo atendimento de tesouraria e o Museu do Dinheiro. A transferência para Entrecampos deverá abranger sobretudo equipas administrativas e de supervisão, com conclusão das obras apontada para o fim de 2027.
O projeto continua inserido numa zona sensível do ponto de vista urbanístico e ambiental. A requalificação de Entrecampos inclui um parque subterrâneo e habitação a renda acessível, enquanto o município já clarificou o plano para as jacarandás na Avenida 5 de Outubro. A evolução do custo total da adaptação da torre A1 e o valor obtido na venda dos ativos atuais serão os principais indicadores para medir se a revisão representa uma gestão mais eficiente ou uma correção dispendiosa.
Na nossa publicação anterior sobre a auditoria do Banco de Portugal a contratos informáticos, explicámos que a instituição encomendou uma revisão de mais de mil contratos de bens e serviços de tecnologia celebrados ao longo dos últimos 11 anos. O objetivo é apurar eventuais irregularidades num prazo de três meses, num processo desencadeado após buscas da Polícia Judiciária relacionadas com contratação na área tecnológica.
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