Energia eólica em Portugal mantém peso elevado no consumo elétrico enquanto novos projetos abrandam

Energia eólica em Portugal mantém peso elevado no consumo elétrico enquanto novos projetos abrandam
Força eólica enfrenta desafios

A energia eólica representa 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental em 2025, um dos níveis mais altos do mundo para esta tecnologia. O marco evidencia a força da base instalada do país, mas também expõe o abrandamento de novos investimentos e os atrasos em projetos offshore e de rede.

Destaques

  • Em 2025, a energia eólica fornecerá 13,5 TWh do consumo de 53,1 TWh de Portugal continental, representando 25,4% do mix elétrico, mas com nova capacidade limitada a 446,8 MW em construção.
  • A quota anual da energia eólica recua para 25,4% em 2025 devido à variabilidade do vento e restrições no licenciamento, rede e uso do solo, apesar da capacidade total de 6,2 GW.
  • A expansão insuficiente da energia eólica, constrangimentos de rede e atrasos nos leilões offshore ameaçam o cumprimento das metas de 2030 e aumentam a volatilidade dos preços grossistas no mercado MIBEL.

Mix elétrico de 2025 e travagem na expansão

Como noticiou o The Portugal Post, as turbinas eólicas fornecem 13,5 TWh de um consumo nacional de 53,1 TWh em 2025, levando a quota da tecnologia para 25,4% no continente. Apesar do resultado, a entrada de nova capacidade praticamente congela, com apenas 446,8 MW em construção no fim do período, muito abaixo do ritmo necessário para cumprir as metas de 2030.

No primeiro trimestre de 2025, a produção eólica cobre 29% da procura, e entre 1 e 27 de janeiro chega temporariamente a um terço da eletricidade consumida no país. Ainda assim, a quota anual recua face aos 27% registados em 2024, refletindo condições de vento mais variáveis, apesar de Portugal manter uma capacidade acumulada de 6,2 GW.

O bloqueio no licenciamento, os estrangulamentos nas ligações à rede e os conflitos sobre uso do solo travam a expansão em terra. Em resposta, os promotores concentram-se cada vez mais em projetos híbridos que combinam eólica com solar ou mini-hídrica, numa tentativa de aumentar a produção por local e contornar limitações regulatórias.

Impacto nos preços, rede e metas de 2030

Quando a produção eólica sobe, os preços grossistas no mercado ibérico MIBEL tendem a cair, reduzindo o recurso a centrais a carvão ou gás natural e baixando o custo marginal da eletricidade. Para consumidores com tarifas indexadas, isso pode traduzir-se em faturas mais baixas em períodos de vento forte, mas também em maior volatilidade quando a produção abranda, sobretudo no verão.

O setor enfrenta ainda constrangimentos estruturais na rede, concebida para produção centralizada e menos variável. Em fins de semana de primavera com elevada geração renovável, os operadores podem ser forçados a exportar excedentes para Espanha com perdas ou a limitar a produção eólica, reforçando a necessidade de armazenamento por baterias, reforço hídrico reversível e sistemas inteligentes de gestão da procura.

As metas para 2030 exigem uma aceleração significativa, tanto no repowering de parques antigos como no arranque do segmento offshore. Contudo, os leilões previstos para zonas marítimas continuam atrasados, e os primeiros projetos comerciais ao largo podem só entrar em operação depois de 2030, enquanto a oposição local e as exigências ambientais prolongam por anos a aprovação de novos parques.

O potencial económico das energias renováveis em Portugal foi analisado na nossa cobertura anterior, destacando como a elevada incorporação de hídrica, eólica e solar pode reduzir custos no sistema elétrico e pressionar em baixa os preços no MIBEL. Nesse contexto, também sublinhámos que, apesar dos ganhos e das horas de consumo totalmente abastecidas por renováveis, o avanço depende de investimento contínuo e do desbloqueio de entraves como a burocracia e a lentidão no licenciamento.

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