Infraestruturas de Portugal avança com modernização ferroviária de 76 milhões de euros entre Espinho e Válega

Infraestruturas de Portugal avança com modernização ferroviária de 76 milhões de euros entre Espinho e Válega
Linha do Norte renovada

A modernização de um troço de 19 quilómetros da Linha do Norte entre Espinho e Válega entra numa fase decisiva com um investimento de 76 milhões de euros e conclusão prevista para meados de 2029. O projeto combina reforço de capacidade para passageiros e mercadorias com a eliminação de passagens de nível consideradas entre as mais perigosas do país.

Destaques

  • A Infraestruturas de Portugal adjudicou à Somafel, Construções Gabriel Couto e Teixeira Duarte a modernização ferroviária Espinho-Válega por 76 milhões de euros.
  • O investimento prevê aumento anual de passageiros no segmento de 5,8 milhões para 8,4 milhões, crescimento de 45%, com reforço de serviços regionais e suburbanos.
  • A criação de linhas de resguardo para mercadorias e supressão de passagens de nível reduz estrangulamentos e elimina pontos críticos de acidentes na Linha do Norte.

Obra reforça capacidade e segurança no corredor

Segundo o ThePortugalPost, a Infraestruturas de Portugal lançou a renovação integral do troço no distrito de Aveiro e adjudicou o contrato a um consórcio formado por Somafel, Construções Gabriel Couto e Teixeira Duarte. A intervenção prevê a substituição total da via, da catenária, dos sistemas de sinalização e das infraestruturas elétricas, num corredor central para a circulação ferroviária nacional.

As estações de Esmoriz e Ovar vão ser reconfiguradas, com alargamento de plataformas e adaptação a padrões atuais de acessibilidade. Em Ovar, a plataforma central passa de pouco mais de um metro na zona mais estreita para mais de seis metros, permitindo circulação pedonal mais segura e a instalação de uma nova passagem superior.

A empreitada inclui ainda estabilização de taludes, substituição de pontes metálicas e aquedutos, além da construção de passagens desniveladas para eliminar cruzamentos rodoviários e pedonais com a linha. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, classificou estas passagens de nível como um problema recorrente, associado a acidentes graves em Espinho e nos municípios vizinhos, enquanto o Governo indica que já assegurou as expropriações necessárias para manter o calendário da obra.

Impacto esperado para mobilidade e carga

O investimento deverá aumentar em 45% o número anual de passageiros neste segmento, de 5,8 milhões para 8,4 milhões, à medida que os serviços regionais e suburbanos são reforçados. A criação de duas linhas de resguardo com 750 metros permite que comboios de mercadorias aguardem passagem de serviços de passageiros, reduzindo estrangulamentos numa linha que transporta cerca de 90% da carga ferroviária portuguesa.

Para residentes e utilizadores do eixo entre Porto, Aveiro e o sul do país, a obra promete plataformas mais amplas, menos atrasos e maior regularidade. A supressão das passagens de nível também deverá reduzir interrupções no tráfego local e remover pontos de conflito onde têm ocorrido colisões com peões e veículos.

O projeto enquadra-se na estratégia ferroviária nacional ligada à futura Linha de Alta Velocidade entre Lisboa e Porto. Com a deslocação de parte dos passageiros de longo curso para essa infraestrutura, a Linha do Norte ganha margem para absorver mais mercadorias e intensificar ligações regionais, reforçando a especialização da rede ferroviária portuguesa.

Na nossa publicação anterior sobre a criação de um fundo soberano em Portugal, explicámos que o Governo pretende concentrar participações já detidas pelo Estado e reforçar a capacidade de intervenção em empresas consideradas estratégicas. O plano, a ser estruturado junto do IGCP, foi apresentado como uma forma de aumentar a estabilidade e a resiliência em áreas como energia, banca, comunicações e infraestruturas aeroportuárias.

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