Comerciantes portugueses na Venezuela enfrentam risco de demolições após sismos

Comerciantes portugueses na Venezuela enfrentam risco de demolições após sismos
Risco de demolição em alta

A resposta portuguesa aos sismos na Venezuela ganha peso operacional numa fase em que a janela de resgate se estreita e aumenta a pressão sobre comunidades com forte presença empresarial luso-descendente. Além das 48 mortes confirmadas entre portugueses e descendentes, comerciantes de El Junquito alertam para perdas económicas adicionais caso avancem demolições generalizadas de imóveis.

Destaques

  • A missão portuguesa na Venezuela mobilizou 64 operacionais e 23 toneladas de ajuda no apoio à comunidade luso-descendente após os sismos de 24 de junho.
  • A ONU estima prejuízos econômicos próximos de $7 mil milhões, representando cerca de 6% do PIB venezuelano, com quase 7 milhões de pessoas afetadas.
  • O governo venezuelano criou um fundo de reconstrução de $200 milhões, mas comerciantes em El Junquito pedem avaliações técnicas individualizadas para evitar demolições generalizadas e novas perdas económicas.

Operação portuguesa e incerteza sobre imóveis

Como noticiou o ThePortugalPost, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil de Portugal instalou uma base de operações no Centro Luso Venezuelano, em Catia La Mar, La Guaira, para apoiar as equipas destacadas após os dois sismos de 24 de junho. A missão portuguesa mobiliza 64 operacionais, incluindo elementos da GNR, dos bombeiros de Lisboa, do INEM e da proteção civil, além de 23 toneladas de equipamento e ajuda humanitária.

O balanço oficial referido no texto aponta para pelo menos 1.430 mortos, 3.328 feridos e mais de 50.000 desaparecidos ou por localizar, enquanto a ONU estima que quase 7 milhões de pessoas foram afetadas. Entre as vítimas estão 48 portugueses e descendentes, com 83 ainda sem contacto, num quadro que expõe a dimensão humana e patrimonial da diáspora portuguesa na Venezuela.

Em El Junquito, polo comercial e turístico com presença relevante de empresários portugueses, o foco desloca-se da busca e salvamento para o futuro dos negócios. Comerciantes e moradores pedem avaliações técnicas individualizadas, após receios de que autoridades locais avancem com demolições em bloco, incluindo edifícios que, segundo relatos locais, permanecem estruturalmente estáveis.

Deisy Abreu, descendente de portugueses da Madeira, defende que engenheiros determinem com prova técnica o que deve ou não ser demolido. Maria Esperanza González e a comerciante Ana Pérez reforçam o apelo, sublinhando que muitas lojas continuam intactas e que um encerramento prolongado, agravado pela falta de eletricidade, ameaça destruir stocks e rendimentos num centro comercial que emprega dezenas de trabalhadores.

Impacto económico e enquadramento da reconstrução

A crise prolonga-se para além do socorro imediato e passa a envolver critérios de reconstrução, proteção de ativos e continuidade comercial. O texto refere que a ONU destaca danos económicos próximos de 7 mil milhões de dólares, cerca de 6% do PIB venezuelano, ao mesmo tempo que equipas internacionais continuam a retirar sobreviventes dos escombros em Caracas e La Guaira.

A organização internacional já posiciona hospitais de campanha e abrigos multiusos, enquanto diferentes países enviam meios humanos e materiais. O governo venezuelano anuncia um fundo de reconstrução de 200 milhões de dólares, e outras entidades multilaterais avançam com verbas destinadas a ajuda imediata, restabelecimento de serviços críticos e recuperação dos meios de subsistência.

Para a comunidade portuguesa e luso-descendente, o impacto vai além das perdas humanas, atingindo comércio, hotelaria e restauração, setores onde essa diáspora mantém presença histórica. Sem orientação detalhada ainda anunciada para apoio consular a pedidos ligados a imóveis ou compensação comercial, a evolução das perícias técnicas e dos critérios de demolição tende a ser decisiva para determinar se zonas como El Junquito preservam atividade económica ou enfrentam uma segunda vaga de perdas.

Na nossa publicação anterior sobre o envio de meios portugueses de resgate e ajuda humanitária para a Venezuela após os sismos de 24 de junho, detalhámos a mobilização de 64 operacionais e duas aeronaves KC-390, bem como o reforço do apoio consular. Também destacámos como o encerramento do aeroporto Simón Bolívar e as falhas de energia e comunicações dificultaram contactos e evacuações, prolongando a incerteza para famílias e negócios ligados à diáspora luso-venezuelana.

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