Chega alerta para impacto político da perda de nacionalidade no apoio ao Orçamento do Estado
A relação entre o Chega e o Governo entra numa fase de maior pressão antes da discussão do próximo Orçamento do Estado. André Ventura diz que a reapreciação do decreto sobre perda de nacionalidade pode redefinir o espaço político e influenciar a avaliação futura do executivo.
Destaques
- André Ventura alerta que o apoio do Chega ao Orçamento do Estado dependerá da posição de PSD e CDS-PP na reapreciação do decreto sobre perda de nacionalidade considerada inconstitucional.
- Ventura afirma que um eventual alinhamento de PSD e CDS-PP com o PS terá efeitos políticos diretos e poderá influenciar a decisão do Chega sobre aprovar o próximo orçamento.
- O líder do Chega critica o executivo em matéria de segurança e descarta apoiar automaticamente a governação da AD, indicando maior escrutínio no debate orçamental.
Reapreciação do decreto agrava tensão política
Como noticiou o Jornal de Negócios, o presidente do Chega avisa que uma aproximação de PSD e CDS ao PS na reapreciação do decreto sobre perda de nacionalidade terá consequências na relação com o partido. André Ventura fala em Lisboa, à margem da votação para a distrital do Chega na capital, e aponta a votação prevista para a próxima sexta-feira como uma etapa relevante antes do debate orçamental.O líder partidário sustenta que ainda existem vários momentos políticos antes do Orçamento do Estado, mas afirma que esses passos podem redefinir o posicionamento entre os partidos. Ventura refere-se em particular ao decreto que cria uma pena acessória de perda de nacionalidade no Código Penal, considerado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional.
Questionado sobre se a posição dos partidos do Governo nesta matéria pesará na votação do orçamento, Ventura responde que uma mudança de PSD e CDS-PP significará uma maior aproximação ao PS do que à visão do Chega. Na sua leitura, esse alinhamento terá efeitos políticos diretos quando chegar o momento de decidir sobre o apoio ao executivo.
Orçamento e governação sob escrutínio
Ventura rejeita também a acusação de José Luís Carneiro de existir um "namoro" entre a AD e o Chega, argumentando que tem sido o PS a funcionar como suporte do Governo. O dirigente afirma que o Chega travou a revisão da lei laboral e critica os socialistas por aprovarem a criação da Prestação Social Única, além de lembrar que o PS viabilizou todos os Orçamentos do Estado dos executivos da AD.Na avaliação do líder do Chega, o PSD não se distingue do PS em matérias essenciais, o que dificulta qualquer apoio automático ao Governo. Ventura acrescenta que a ação do executivo será avaliada quando chegar o debate orçamental e defende que os militantes e dirigentes do partido não querem que o Chega seja apenas um suporte parlamentar do Governo.
O dirigente critica ainda o desempenho governativo na segurança, descrevendo o país como mais violento e agressivo. Esse quadro, segundo diz, pesará igualmente na forma como o Chega encara futuras decisões sobre estabilidade política e orçamento.
Na nossa publicação, abordámos o chumbo parlamentar da reforma laboral “Trabalho XXI” e como essa derrota abriu espaço para um novo eixo de negociação, com o Chega a defender que a prioridade passe pela modernização da justiça. O texto destacou a pressão para cumprir metas do PRR até 2026 e os atrasos nos tribunais administrativos e fiscais, sublinhando que a atual aritmética parlamentar pode viabilizar reformas se houver entendimento político.
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