Certificados do Tesouro Série 5 reforçam poupança garantida, mas retorno líquido fica limitado por imposto e baixa liquidez
O novo Certificado do Tesouro Série 5 chega ao mercado português como uma opção de capital garantido para aforradores que privilegiam segurança e previsibilidade. Ainda assim, a retenção fiscal sobre os juros e as regras de resgate reduzem a atratividade real do produto para quem precisa de flexibilidade ou procura proteger poder de compra no longo prazo.
Destaques
- O Certificado do Tesouro Série 5 oferece remuneração crescente de 2,35% a 3,35% ao longo de 10 anos, mas seu retorno líquido médio fica próximo de 1,8% ao ano após impostos.
- A tributação sobre juros atinge 28% no continente e 19,6% nos Açores e Madeira, criando significativas diferenças no rendimento efetivo para os investidores residentes.
- As restrições de liquidez, incluindo resgate apenas após um ano e penalização fora das datas de pagamento, tornam alternativas como Certificados de Aforro Série F e depósitos bancários potencialmente mais atraentes para perfis com necessidades variáveis de tesouraria.
Condições do produto e efeito da tributação
Como explicou o ThePortugalPost, o Certificado do Tesouro Série 5 substitui os anteriores Certificados do Tesouro Poupança Valor e passa a ser disponibilizado através do IGCP, com subscrição por AforroNet, CTT, Lojas de Cidadão e pela plataforma digital do Banco Big.Cada certificado tem valor nominal de 1 euro, com subscrições entre 1.000 e 1 milhão de unidades por conta individual. O prazo é de 10 anos e a remuneração segue uma trajetória crescente, de 2,35% no primeiro ano até 3,35% no último, o que favorece a manutenção da aplicação até ao vencimento.
O impacto fiscal, porém, altera de forma relevante o retorno efetivamente recebido. No continente, os juros estão sujeitos a retenção de IRS de 28%, enquanto nos Açores e na Madeira a taxa desce para 19,6%, criando uma diferença material no rendimento líquido entre residentes.
A possibilidade de englobamento no IRS anual pode beneficiar contribuintes com escalões mais baixos, mas não muda o facto de o retorno líquido médio ficar perto de 1,8% ao ano, segundo os dados apresentados. Num contexto em que a inflação recente oscila entre 2% e 3%, esse nível de remuneração pode traduzir perda de poder de compra em termos reais.
Impacto para aforradores e comparação com alternativas
As restrições de liquidez são outro fator central na avaliação do produto. O resgate só é permitido após o primeiro aniversário e, fora das datas anuais de pagamento de juros, o investidor perde os juros acumulados desde o pagamento anterior; além disso, o saldo remanescente não pode ficar abaixo de 1.000 euros.Face a isso, outros instrumentos de poupança com garantia de capital podem revelar-se mais ajustados para certos perfis. A Série F dos Certificados de Aforro permite mobilização após 90 dias sem penalização de juros, tem montante mínimo de entrada de 100 euros e oferece capitalização trimestral, enquanto os depósitos a prazo bancários mantêm cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por depositante e por instituição.
O enquadramento económico também pesa na decisão das famílias, numa altura em que a procura por aplicações com proteção de capital permanece elevada em Portugal. O produto tende a adequar-se mais a trabalhadores ou empresários com rendimento estável, reservas de liquidez já constituídas e horizonte financeiro realmente longo, enquanto independentes ou agregados com necessidades variáveis de tesouraria podem preferir soluções mais flexíveis.
Para os investidores, a comparação do retorno líquido após impostos com outras alternativas torna-se decisiva antes da subscrição. O Certificado do Tesouro Série 5 ocupa um espaço próprio na oferta de poupança do Estado, mas a sua utilidade depende da capacidade de manter o dinheiro imobilizado durante uma década e de aceitar uma remuneração real potencialmente modesta.
Na nossa publicação, analisámos a subida da remuneração dos novos depósitos a prazo de particulares em Portugal, que em maio avançou para 1,48% após quatro meses consecutivos de aumentos. O artigo também destacou que, apesar dessa melhoria, o volume de novas aplicações recuou face a abril e Portugal continuou abaixo da média da Zona Euro, reforçando a necessidade de comparar alternativas de poupança com capital garantido.
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