Zona euro abranda crescimento e aumenta pressão sobre exportações e consumo em Portugal
A revisão em baixa das perspetivas económicas da zona euro reforça os riscos para uma economia portuguesa fortemente ligada ao comércio e ao investimento europeus. O abrandamento previsto para 2026 soma-se à pressão dos custos energéticos e à inflação, com impacto potencial no poder de compra das famílias e nas margens das empresas.
Destaques
- O FMI reviu em baixa a previsão de crescimento da zona euro para 2026 para 0,9%, menos 0,2 pontos percentuais face a abril, atribuindo o abrandamento à fraqueza generalizada da atividade, elevados preços da energia e baixa confiança dos consumidores.
- Entre os principais mercados de exportação portugueses, o crescimento previsto para 2026 desce para 0,7% na Alemanha, 0,6% na França, 0,5% na Itália e mantém-se em 2,1% em Espanha, ampliando o risco para o setor exportador nacional.
- O FMI espera inflação global de 4,7% em 2026 e aponta energias renováveis, infraestrutura digital e qualificação laboral como fatores críticos para Portugal enfrentar volatilidade dos mercados energéticos e ampliar ganhos de produtividade.
Previsões do FMI agravam cenário europeu
Segundo The Portugal Post, citando o World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional, divulgado hoje, a previsão de crescimento da zona euro para 2026 desce para 0,9%, menos 0,2 pontos percentuais do que a estimativa de abril.O FMI atribui a revisão a um efeito de arrastamento negativo vindo do primeiro trimestre, com a Irlanda a pesar de forma relevante, mas sublinha que a fraqueza da atividade se estende a outras partes da região. Os preços elevados da energia e a confiança dos consumidores persistentemente baixa continuam também a limitar a recuperação, apesar de algumas medidas de apoio orçamental.
Entre os principais parceiros comerciais de Portugal, a Alemanha passa a ter uma previsão de crescimento de 0,7% em 2026, a França de 0,6%, a Itália de 0,5% e a Espanha mantém-se em 2,1%. Esta divergência dentro da união monetária deixa Portugal mais exposto à fraqueza dos mercados centrais europeus, embora a resiliência espanhola ofereça algum amortecimento.
Impacto esperado na economia portuguesa
Para Portugal, o abrandamento da zona euro tende a traduzir-se em menor procura externa para setores como têxteis, calçado, vinho e cortiça, ao mesmo tempo que aumenta a incerteza sobre investimento e expansão empresarial. Empresas dependentes de cadeias de abastecimento transfronteiriças podem enfrentar margens mais apertadas se a energia continuar cara e a procura enfraquecer.No cenário global, o FMI antecipa crescimento de 3% em 2026 e de 3,4% em 2027, enquanto a inflação sobe de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, antes de moderar para 3,9% em 2027. O conflito no Médio Oriente continua a perturbar cadeias energéticas e a sustentar os preços das matérias-primas, o que mantém pressão sobre combustíveis, bens importados e despesas das famílias portuguesas.
Embora Portugal beneficie de uma forte presença de energias renováveis na produção elétrica e de programas europeus de recuperação, o país continua vulnerável aos mercados internacionais de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, o FMI vê na inteligência artificial um potencial ganho de produtividade global, mas avisa que os benefícios tendem a concentrar-se nas economias com melhor infraestrutura digital, capital e mão de obra qualificada, o que aumenta a urgência de investimento em competências e transformação tecnológica.
O abrandamento na criação de empresas em Portugal no primeiro semestre de 2026, que já analisámos, sinalizou o arranque semestral mais fraco desde 2023 e uma divisão acentuada entre setores. No nosso artigo, destacámos a resiliência relativa da construção e das TIC, enquanto atividades mais expostas a custos e procura (como agricultura, retalho alimentar e restauração) perderam dinamismo, num quadro em que o aumento das insolvências no imobiliário reforça a seletividade para investidores e pressiona as micro e pequenas empresas.
Últimas notícias Europe
- Forex
- Crypto