Portugal e Moçambique fecham cooperação turística com meta de 360 milhões de euros em receitas anuais

Portugal e Moçambique fecham cooperação turística com meta de 360 milhões de euros em receitas anuais
Acordo Portugal-Moçambique no turismo

O reforço da cooperação económica lusófona no turismo ganha forma com um acordo técnico de cinco anos entre Portugal e Moçambique nas áreas da hotelaria, promoção turística e regulação do jogo. A iniciativa procura elevar as receitas anuais do turismo moçambicano para 360 milhões de euros até 2029 e abre espaço adicional para empresas portuguesas já presentes no país.

Destaques

  • Portugal e Moçambique firmaram acordo turístico com meta de atingir 360 milhões de euros em receitas anuais até 2029.
  • O plano prevê criação de comité técnico conjunto, instalação de Escola de Hotelaria certificada e transferências de conhecimento em áreas como regulação do jogo e digitalização.
  • Empresas portuguesas ganham acesso preferencial a joint ventures, projetos REVIVE e mercados beneficiados por aumento projetado de 4,02% para 6% do PIB moçambicano via turismo até 2029.

Âmbito do acordo e execução prevista

Como noticiou o The Portugal Post, o acordo entre o Ministério da Economia de Portugal e as autoridades moçambicanas do turismo foi ratificado no mês passado no Boletim Oficial de Moçambique, consolidando uma relação económica em que mais de 400 empresas portuguesas gerem mais de 2 mil milhões de euros em investimento direto no país.

A cooperação abrange regulação do jogo, formação em hotelaria, promoção turística, digitalização do setor, classificação de empreendimentos e apoio a novos mecanismos de investimento. O plano também prevê a criação de um comité técnico conjunto para desenhar e acompanhar uma agenda de ação de cinco anos, com reuniões regulares e metas ligadas a intercâmbio de formandos, fóruns de investimento, harmonização regulatória e projetos patrimoniais.

Na área do jogo, o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos de Portugal deverá prestar assistência técnica à Inspeção-Geral de Jogos de Moçambique em licenciamento, auditoria, controlos anti-branqueamento de capitais e práticas de jogo responsável. Esse eixo pode avançar mais depressa, porque Moçambique já dispõe de enquadramento legal para o segmento e Portugal tem experiência recente tanto em plataformas digitais como em operações presenciais.

Os dois governos também assumem a criação de programas formais de formação e a instalação de uma Escola de Hotelaria em Moçambique certificada pelo Turismo de Portugal. A medida responde à necessidade de mão de obra num mercado que empregava 14.603 trabalhadores do turismo em 2024 e projeta 22.115 até 2029, ao mesmo tempo que favorece grupos portugueses com operação em África lusófona, como Vila Galé e Pestana.

Impacto para empresas portuguesas e metas para Moçambique

Para promotores hoteleiros, consultoras, fornecedores tecnológicos e especialistas em reabilitação patrimonial, o acordo cria acesso preferencial a joint ventures e a projetos ligados a turismo de natureza, costeiro, marítimo, ativo e cultural. O objetivo oficial de elevar o peso do turismo de 4,02% do PIB moçambicano em 2024 para 6% em 2029 reforça a perspetiva de expansão do mercado.

Entre os instrumentos previstos estão catálogos conjuntos de oportunidades de investimento e fóruns empresariais para apresentação direta de projetos a autoridades e parceiros locais. O modelo português REVIVE, baseado na reabilitação de imóveis patrimoniais para uso hoteleiro em concessões de longo prazo, serve de referência para projetos-piloto em Moçambique com apoio técnico português.

O acordo inclui ainda partilha de conhecimento em marketing turístico, gestão de destinos, certificação de serviços, estudos de mercado e infraestruturas digitais. O acesso a ferramentas de reserva centralizada, análise de plataformas e acompanhamento de visitantes pode acelerar a transição de unidades informais para alojamentos com gestão profissional e maior visibilidade comercial.

Para as empresas portuguesas, as oportunidades mais imediatas concentram-se em contratos de consultoria, formação e missões exploratórias de investimento. Já a meta de 360 milhões de euros em receitas anuais até 2029 é ambiciosa e exige uma forte aceleração da atividade turística moçambicana, embora mesmo um cumprimento parcial já represente um aumento relevante da procura por serviços exportados a partir de Portugal.

Na nossa publicação, já abordámos o universo PME Líder 2025, que reúne 14.133 empresas distinguidas pela solidez económico-financeira e pela capacidade exportadora, com crescimento de vendas e exportações e um EBITDA agregado acima de 8,8 mil milhões de euros. O artigo sublinhava ainda os principais entraves à competitividade em Portugal — como burocracia, produtividade e custos de energia — e a necessidade de ganhar escala e acelerar a adoção de tecnologia e IA, enquadrando também iniciativas de financiamento para apoiar investimento e internacionalização das PME.

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