PJ de Évora sob escrutínio por obras de 874 mil euros fora do Portal Base

PJ de Évora sob escrutínio por obras de 874 mil euros fora do Portal Base
Obras da PJ em xeque

A reabilitação do edifício da Polícia Judiciária em Évora abre uma nova frente de dúvidas sobre transparência na contratação pública. Em causa estão trabalhos iniciados em 2023 e adjudicados à Construbarcelos, empresa já associada a outras controvérsias ligadas ao atual ministro da Administração Interna.

Destaques

  • Contratos de reabilitação da sede da PJ em Évora somam 874 mil euros e não estão publicados no Portal Base como exigido por lei.
  • As obras, realizadas pela Construbarcelos em 2023, ocorrem enquanto a Polícia Judiciária era dirigida pelo atual ministro da Administração Interna.
  • A omissão dos contratos reforça pressões sobre a transparência na contratação pública, gerando risco reputacional e aumentando o escrutínio político sobre o setor.

Contratos de reabilitação e omissões no registo

Segundo Correio da Manhã, citando a CNN Portugal, os contratos relativos às obras na sede da PJ em Évora totalizam 874 mil euros e não constam do Portal Base, apesar da obrigação legal de publicação de todos os contratos públicos.

O caso envolve intervenções no edifício alentejano iniciadas em 2023, numa altura em que a Polícia Judiciária era liderada pelo atual ministro da Administração Interna. A empresa responsável pelos trabalhos é a Construbarcelos, a mesma que surge envolvida em polémicas relacionadas com obras em propriedades privadas ligadas ao governante.

Impacto na transparência da contratação pública

No Portal Base aparecem apenas referências à compra de mobiliário para a mesma sede em Évora. Já os contratos das obras de reabilitação e de trabalhos realizados em casas ao dispor da PJ permanecem omitidos.

A ausência desses elementos reforça a pressão sobre os mecanismos de controlo e reporte na contratação pública, numa área particularmente sensível por envolver uma entidade de investigação criminal. O caso acrescenta risco reputacional para a PJ e aumenta o escrutínio político sobre procedimentos administrativos ligados ao Ministério da Administração Interna.

Na nossa publicação anterior sobre o reforço da fiscalização do Tribunal de Contas em 2025, destacámos o aumento do tratamento de queixas, exposições e denúncias e a atenção redobrada às falhas na contratação pública. O relatório apontava como irregularidades recorrentes o recurso indevido ao ajuste direto e outras violações das regras de despesa, sublinhando a crescente exigência de controlo na gestão de recursos públicos.

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