Seguradoras ampliam oferta a pequenos negócios nas periferias, mas orçamento limita adesão

Seguradoras ampliam oferta a pequenos negócios nas periferias, mas orçamento limita adesão
Proteção cresce nas periferias

A proteção de bens usados para gerar renda, como veículos, equipamentos e o próprio imóvel, ganha espaço nas discussões sobre inclusão securitária nas periferias. Embora o interesse pelo seguro seja elevado entre moradores de comunidades, a falta de sobra no orçamento mensal ainda restringe a contratação.

Destaques

  • Seguradoras como Mapfre, Favela Seguros e CNP Assurances ampliam oferta de produtos adaptados para pequenos negócios nas periferias, incluindo contratação pelo CPF e representantes locais.
  • Levantamento CNseg/Instituto Locomotiva mostra que 85% dos moradores das comunidades têm interesse em seguros, mas 89% terminam o mês sem dinheiro disponível, dificultando adesões.
  • Executivos do setor destacam que linguagem acessível, formação de representantes locais e integração com educação financeira são pontos-chave para ampliar a inclusão securitária nas periferias.

Produtos e distribuição miram realidade das comunidades

Como mostrou o InfoMoney, seguradoras, entidades do setor e lideranças comunitárias defendem adaptar produtos, linguagem e canais de atendimento para ampliar o acesso ao seguro entre pequenos empreendedores das periferias.

Durante uma feira sobre seguros realizada no último dia 12 em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, o fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, propôs transformar a comunidade em um laboratório para desenvolver soluções alinhadas à realidade local. Segundo ele, a iniciativa pode ajudar a criar modelos com potencial de escala nacional.

O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirma que um único imprevisto pode levar o pequeno empreendedor de volta à estaca zero, interrompendo uma trajetória construída com dificuldade. Já Julia Normande Lins, diretora da Susep, defende que a expansão do seguro exige considerar as características de cada comunidade e explicar com clareza em quais situações o produto é útil.

Entre as iniciativas apresentadas, a Mapfre oferece seguro para o espaço físico do negócio, inclusive quando a atividade funciona na casa do proprietário, além de proteção pessoal e familiar. De acordo com a seguradora, os produtos lançados em 2024 podem ser contratados pelo CPF, o que facilita o acesso de trabalhadores sem CNPJ.

A Favela Seguros, criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros, com apoio social da CUFA, aposta na formação de representantes locais para distribuir proteção familiar e gerar renda dentro das comunidades. Atualmente, a empresa conta com sete representantes em Paraisópolis e mantém outras vagas abertas.

Renda apertada e educação financeira freiam mercado

Levantamento recente da CNseg em parceria com o Instituto Locomotiva indica que 85% dos moradores de comunidades já buscaram informações sobre seguros ou gostariam de conhecer esses produtos. Ao mesmo tempo, 89% terminam o mês sem dinheiro disponível, o que limita a conversão do interesse em contratação.

Esse cenário reforça a necessidade de informação clara sobre coberturas, exclusões e condições das apólices. Antes de contratar, a orientação é verificar quais prejuízos dão direito à indenização, qual é o limite de pagamento e se há franquia ou carência, especialmente quando a residência ou um bem pessoal também serve como instrumento de trabalho.

A CNP Assurances, que comercializa microsseguros no Brasil desde 2012, associa a oferta à educação financeira. Na mesma linha, a Bradesco Seguros afirma que busca aproximar o tema da proteção de decisões cotidianas sobre família, patrimônio, negócios e projetos de vida.

Para a CNseg, a linguagem ainda é uma barreira relevante para a expansão do setor nesse público. A avaliação de executivos e representantes que participaram do evento é que o mercado precisa tornar o seguro mais compreensível e menos associado a consumidores de maior renda.

Em nossa publicação anterior sobre os dados de julho da Susep, mostramos que a BB Seguridade (BBSE3) ficou sob maior pressão, com queda no lucro líquido, recuo nos prêmios emitidos e piora da sinistralidade, puxados principalmente pelo enfraquecimento do seguro rural. O texto também comparou o desempenho com outras seguradoras ligadas a bancos e destacou como a dinâmica de risco e a demanda por coberturas específicas podem afetar resultados e a leitura do mercado.

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