Oksana Koneva

Goldman Sachs aponta maior risco fiscal para o Brasil sob Lula

Goldman Sachs aponta maior risco fiscal para o Brasil sob Lula
Risco fiscal sob Lula

Após o choque inicial da eleição, o mercado passa a concentrar atenção na política fiscal, na equipe econômica e na capacidade de articulação do próximo governo. O Goldman Sachs avalia que o Orçamento de 2027, a escolha do ministro da Fazenda e a relação com o Congresso serão decisivos para o comportamento do real, dos juros e de outros ativos brasileiros.

Destaques

  • Goldman Sachs aponta que ativos brasileiros agora refletem prêmio fiscal maior devido à expansão de gastos recentes e incertezas sobre a condução das contas públicas.
  • O banco avalia que a definição do ministro da Fazenda e a articulação no Congresso, onde o partido de Flávio Bolsonaro ganhou força, serão cruciais para os rumos do mercado.
  • Possível contestação prolongada do resultado eleitoral e ajustes no Orçamento de 2027 podem gerar volatilidade, mas estratégia fiscal e governabilidade vão direcionar ativos após a reação inicial.

Orçamento de 2027 e sinais da equipe econômica

Segundo InfoMoney, citando relatório do Goldman Sachs, divulgado na segunda-feira (26), os ativos brasileiros tendem a incorporar um prêmio fiscal maior diante da expansão de gastos anunciada nas últimas semanas e das incertezas sobre a condução das contas públicas.

Na avaliação do banco, a reação do mercado não depende apenas do resultado eleitoral, mas sobretudo dos primeiros sinais sobre a orientação econômica do novo governo. A definição do ministro da Fazenda aparece como um dos pontos centrais, ao lado dos anúncios iniciais da administração eleita.

O banco também destaca o Orçamento de 2027, enviado ao Congresso no fim de agosto e ainda sujeito à aprovação até o fim do ano. Segundo a instituição, o texto precisa ser ajustado para incorporar medidas fiscais anunciadas depois de sua apresentação, e o grau de consolidação das contas públicas, ou a ausência dele, deve ser monitorado de perto pelos investidores.

A leitura do Goldman Sachs é que a trajetória fiscal será um dos principais fatores para determinar o comportamento do real, da curva de juros e dos demais ativos locais no período pós-eleitoral. O relatório cita ainda ciclos anteriores, incluindo 2002, para indicar que a direção dos mercados pode mudar à medida que a estratégia econômica do presidente eleito se torna mais clara.

Relação com o Congresso pesa na governabilidade

O banco vê riscos adicionais na relação entre Executivo e Legislativo, num cenário em que o partido de Flávio Bolsonaro emerge da eleição como a maior força tanto na Câmara como no Senado. Para a instituição, essa configuração pode ampliar atritos com o governo e dificultar a aprovação de medidas econômicas e fiscais.

Esse quadro reforça a importância da negociação política para a execução da agenda do próximo governo. Na análise do Goldman Sachs, a capacidade de articulação no Congresso será tão relevante para os ativos brasileiros quanto as decisões sobre a política fiscal e a composição da equipe econômica.

O relatório menciona ainda a possibilidade de contestação mais prolongada do resultado eleitoral. Flávio Bolsonaro afirma que pretende pedir a anulação da eleição, em questionamento ligado à extensão do horário de votação, e o banco avalia que uma disputa mais longa pode pressionar o sentimento dos investidores no curto prazo.

Ainda assim, a instituição considera que, superada a reação inicial, o desempenho dos mercados deve ser definido principalmente pela combinação entre política fiscal, comando da área econômica e governabilidade no Congresso.

Na nossa matéria anterior sobre a revisão cambial do Goldman Sachs, mostramos por que o banco passou a ver espaço para uma apreciação adicional do real após o primeiro turno, com cortes nas projeções do dólar e expectativa de melhora no prêmio de risco. O texto também destacava que a continuidade desse movimento dependeria de sinais concretos sobre ajuste fiscal, equipe econômica e governabilidade no Congresso, com alertas para fatores que podem limitar a valorização, como cortes na Selic e saídas de capital no fim do ano.

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