CVM abre consulta para alinhar regras contabilísticas dos fundos às normas internacionais
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários do Brasil inicia hoje uma consulta pública para rever as regras contabilísticas aplicáveis aos fundos de investimento. O processo pretende aproximar o quadro regulatório em vigor dos padrões internacionais já adotados no mercado de capitais, com contributos abertos até 4 de dezembro de 2026.
Destaques
- CVM inicia consulta pública em 5 de outubro de 2026 para alinhar regras dos fundos às normas internacionais de contabilidade, envolvendo Instruções CVM 489, 516 e 579.
- A proposta prevê a adoção integral dos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, eliminando diferenças em relação às IFRS e excluindo os FIAGROS por já estarem convergidos.
- A consulta aborda desafios operacionais, custos de adaptação e sugere melhorias na infraestrutura de sistemas para aumentar a transparência e comparabilidade das demonstrações financeiras.
Consulta pública define primeira fase da convergência
Segundo CVM, conforme comunicado da Comissão de Valores Mobiliários, a iniciativa arranca em 5 de outubro de 2026 e integra um processo faseado de convergência integral às normas internacionais de contabilidade. Nesta etapa inicial, a autarquia propõe a migração das Instruções CVM 489, 516 e 579, bem como dos fundos relacionados nos Anexos Normativos VIII, X e XII da Resolução CVM 175.A proposta prevê a adoção integral dos pronunciamentos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, sem criar diferenças face às IFRS. Segundo Osvaldo Zanetti Favero Junior, superintendente de Normas Contabilísticas e de Auditoria em exercício, a CVM espera recolher contributos de participantes do mercado e de outros interessados, sobretudo utilizadores da informação, para preparar uma proposta normativa a submeter depois a nova consulta pública.
Os fundos do Anexo Normativo VI, os FIAGROS, ficam fora desta proposta. A justificação é que essas estruturas já têm de elaborar demonstrações financeiras de acordo com as normas contabilísticas aplicáveis às sociedades abertas, cujo enquadramento já se encontra convergido com as IFRS.
Impacto esperado na transparência e nos custos de adaptação
Entre os pontos submetidos a contributos estão os desafios operacionais da aplicação de normas internacionais relevantes para a indústria de fundos, os impactos na comparabilidade das demonstrações financeiras, os procedimentos de auditoria independente e os custos de adaptação regulatória e sistémica.A CVM também procura propostas para alterações na infraestrutura de sistemas usada na receção de informação, com o objetivo de melhorar o acesso, a transparência e a usabilidade dos dados reportados pelos administradores de fundos. Para investidores e demais utilizadores da informação contabilística, a convergência pode reforçar a consistência dos relatórios financeiros e facilitar a leitura comparada entre veículos de investimento.
As sugestões e comentários podem ser enviados até 4 de dezembro de 2026, preferencialmente por correio eletrónico para conspublicasnc0126@cvm.gov.br ou por via postal para a sede da autarquia no centro do Rio de Janeiro.
Na nossa publicação, analisámos o primeiro ano de Álvaro Santos Pereira à frente do Banco de Portugal, marcado por reorganização interna, ajustes na supervisão e mudanças nas regras do crédito à habitação. O texto também destacou a revisão de decisões herdadas, incluindo a renegociação do acordo de reforma de Mário Centeno e a reformulação do projeto da nova sede, além do debate sobre possíveis novos custos de supervisão para o setor bancário.
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