Autoridade Tributária prevê concluir concurso para 390 vagas nas próximas semanas
Mais de dois anos após a abertura do concurso para 390 postos na Autoridade Tributária e Aduaneira, o processo deverá finalmente avançar para a publicação dos resultados finais nas próximas semanas. A decisão é relevante para 1.239 candidatos que permanecem em espera desde junho de 2024 e surge num contexto de carência estrutural de pessoal no fisco português.
Destaques
- A homologação final do concurso para 390 vagas na carreira GITA da Autoridade Tributária será divulgada nas próximas semanas, após mais de dois anos de atraso.
- Em 31 de dezembro de 2025, a carreira GITA tinha 3.101 trabalhadores para 4.107 postos, um défice de 1.006 posições, agravado por 826 aposentações em 2025.
- Projeções apontam para até 4.000 novas aposentações nos próximos três anos, enquanto o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos exige concursos mais rápidos para evitar rutura extrema de pessoal.
Calendário do concurso e razões para o atraso
Como noticiou o ThePortugalPost, o Ministério das Finanças indica que a lista final homologada do concurso para a carreira de Gestão e Inspeção Tributária, GITA, deverá ser conhecida "nas próximas semanas", depois de um processo sem calendário oficial de fecho até à recente resposta escrita da tutela.A lista provisória de ordenação, publicada em 29 de julho de 2026, inclui 1.239 candidatos. A homologação final ainda não foi publicada e o concurso mantém-se oficialmente classificado como "em curso".
O ministério justifica a demora, superior a dois anos desde a abertura em junho de 2024, com o elevado número de candidatos e com a necessidade de cumprir todas as obrigações e formalidades legais, nomeadamente o direito de audiência prévia e de reclamação. Após a homologação da lista final, os candidatos deverão ser informados sobre a data previsível de início de funções na Autoridade Tributária e Aduaneira.
Falta de trabalhadores agrava pressão no fisco
A conclusão do concurso tem impacto para além da situação individual dos candidatos, numa altura em que a Autoridade Tributária e Aduaneira enfrenta uma escassez de efetivos com efeitos na cobrança de impostos e no controlo aduaneiro. Dados oficiais citados no texto indicam que, em 31 de dezembro de 2025, a carreira GITA contava com 3.101 trabalhadores para um mapa de pessoal de 4.107 postos, o que representa um défice de 1.006 posições.No mesmo ano, a autoridade registou 826 aposentações e terminou 2025 com 9.993 trabalhadores, o nível mais baixo desde a sua criação em 2012. A própria Autoridade Tributária e Aduaneira reconhece um défice estrutural de recursos humanos e um quadro envelhecido, com idade média superior a 50 anos, enquanto projeções apontam para cerca de 2.000 aposentações nos próximos três anos, podendo algumas estimativas elevar esse número para entre 3.000 e 4.000.
O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, STI, manifesta "profunda preocupação" com os atrasos sucessivos e defende que os concursos das carreiras GITA e IATA devem decorrer de forma autónoma. Segundo o sindicato, são necessários mais concursos externos e com maior rapidez para travar uma "rutura extrema" de pessoal numa entidade considerada essencial para a receita fiscal do Estado e para o controlo aduaneiro nacional.
As buscas por suspeitas de fraude no IMT, que já acompanhámos, envolveram diligências da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária a empresas, habitações e duas instituições financeiras, no âmbito de um inquérito do DCIAP. A investigação aponta para alegados mecanismos de circulação da titularidade de imóveis através de sociedades para obter isenções indevidas, com prejuízos de milhões de euros para o Estado e ligação a uma operação imobiliária em Lisboa.
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