União Europeia destaca melhoria da qualidade do emprego, mas mantém falhas em setores com escassez laboral
A qualidade do emprego na União Europeia melhora na última década, com salários mais altos, horários mais favoráveis e maior segurança contratual em várias atividades. Ainda assim, os ganhos permanecem desiguais entre profissões e grupos de trabalhadores, enquanto Bruxelas alerta para fragilidades persistentes em serviços essenciais e para o abrandamento da criação de emprego em 2026.
Destaques
- A Comissão Europeia destaca progressos generalizados na qualidade do emprego, mas setores com escassez laboral mantêm salários mais baixos e vínculos instáveis.
- Entre 2009 e 2021, setores com maior peso de contratos temporários involuntários registraram crescimento de produtividade 1,4 pontos percentuais inferior à média.
- Estima-se que o choque energético no Médio Oriente poderá resultar em menos 440 mil empregos criados em 2026, pressionando rendimentos das famílias vulneráveis.
Relatório europeu liga condições de trabalho à produtividade
Segundo Jornal de Negócios, citando a Comissão Europeia no relatório European Employment and Social Outlook 2026, a melhoria da remuneração, da segurança profissional e do tempo de trabalho está associada à competitividade e à produtividade da economia europeia. O documento identifica progressos generalizados face a há dez anos, mas sublinha que as profissões com escassez de mão de obra continuam frequentemente expostas a horários mais atípicos, vínculos menos estáveis e salários mais baixos.Essa relação torna-se mais visível em atividades como cuidados pessoais, agricultura e limpeza. Em sentido oposto, os empregos de melhor qualidade concentram-se nas tecnologias de informação, finanças, administração pública e atividades profissionais, científicas e técnicas, enquanto hotelaria, restauração e serviços administrativos e de apoio mantêm condições menos favoráveis, apesar de melhorias registadas.
A análise da Comissão Europeia indica ainda que, entre 2009 e 2021, os setores com maior peso de contratos temporários involuntários registam um crescimento médio da produtividade 1,4 pontos percentuais inferior. O relatório acrescenta que aumentos do salário mínimo, em condições favoráveis, podem incentivar investimento e inovação, estimando que uma subida de um ponto percentual do salário mínimo em relação ao salário médio está associada a um acréscimo médio de 0,1 pontos percentuais na produtividade, sem efeitos significativos no emprego.
Desigualdades persistem e emprego abranda em 2026
O retrato traçado por Bruxelas mostra que as diferenças na qualidade do emprego não dependem apenas do setor de atividade. Mulheres, jovens, pessoas com menor escolaridade e trabalhadores nascidos fora da UE continuam com maior probabilidade de ocupar profissões com piores condições, ao mesmo tempo que alguns países europeus pioram em dois ou mais indicadores de qualidade do emprego.A Comissão identifica também riscos ligados à subcontratação em certos serviços menos intensivos em conhecimento, embora assinale que as diferenças salariais tendem a reduzir-se em funções semelhantes. No plano tecnológico, a inteligência artificial pode apoiar tarefas de maior valor acrescentado, mas também reduzir a procura por funções rotineiras e, se usada em excesso, prejudicar o pensamento crítico e a aprendizagem pela experiência.
Apesar de a taxa de emprego atingir 76,1% em 2025 e o desemprego se manter nos 6%, a criação de postos de trabalho está a perder velocidade. A Comissão estima que o choque energético associado ao conflito no Médio Oriente possa traduzir-se em menos 440 mil empregos criados em 2026, aumentando a pressão sobre os rendimentos das famílias mais vulneráveis, enquanto prepara para este ano uma proposta legislativa dedicada à qualidade do emprego.
Na nossa publicação anterior sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2027, analisámos as principais mudanças fiscais, incluindo a atualização dos escalões do IRS, a descida da taxa de IRC e a manutenção de incentivos às empresas. Também destacámos medidas com impacto direto no rendimento disponível e nos custos das empresas, como regras de isenção para prémios de produtividade e alterações em benefícios ligados à habitação e ao IMT.
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